Hoje eu acordei com vontade de escrever

Monday, February 20, 2017

Tudo de novo

Aqui vem mais uma tentativa. Preciso me elaborar. Preciso me reinventar. Preciso me escrever. Crônica, prosa, poesia? Estou mais pra rascunho. Rabisca, escreve em cima, nunca fica bom. Há pouco tempo pensei que era ponto final, mas era ponto e vírgula. Virou exclamação que era pra se tornar reticências gostosas e duradouras. Mas virou entre parênteses, sem nada dentro. Vazio, vazio, vazio. Promessas vazias. Eu te amo vazio. Ai que saudade do meu ponto final. Era parágrafo novo, folha em branco, segundo volume da minha história. Fechei o livro ainda em branco. Acreditei no final feliz. Tolinha, burrinha, sozinha. Não era final, nem era feliz. Agora o ponto final fica preso na garganta. Não sai, nem entra. Tudo de novo. Quanto tempo? Por que eu? Por que agora? Pra onde eu vou? Vou escrever. Vou escrevendo pra recriar minha voz. O meu tom. O meu som. Não era um som bom? Um som que você gostava de ouvir? Agora é disco arranhado, que dói na espinha. Tudo de novo. Roubaram minha casa. Ela está ali e não é minha. Tão colorida, tão linda, mas não é minha. É sua. Toda sua. Abro a mão e deixo ela ir? Seguro bem forte pra ela não fugir? Ai que saudade do meu ponto final. Ali eu era forte, era gigante. Aqui eu sou pequena, ser minúsculo, numa casinha colorida que não é minha.

Wednesday, July 13, 2011

Questões minhas

Dá para magoar sem querer quando a gente conhece tão bem que sabe de cor o que faz doer? Tenho me deixado ferir tantas vezes recentemente. Por gente que me quer bem. De verdade. Quanto mais penso, mais chego à conclusão que o problema só pode ser eu. Afinal, todos esses meus queridos não se sentaram em volta de uma mesa para combinar que iam me sacanear, certo? Cada um tem o seu motivo. Também não estão muito bem, estão muito ocupados, não pensaram antes de falar. Será?

Há quem diga que eu sou louca e invento metade. Mas louca eu sei que não sou. Uma pena. Acho que seria mais fácil perder a sanidade do que a felicidade. Mas estou sendo injusta com minha vida. Não sou infeliz. Nem estou deprimida, embora volta e meia me pegue considerando essa possibilidade. Estou frustrada, sim. Sozinha demais. Extremamente cansada. Com dificuldade de sentir qualquer tipo de prazer. Mas ainda encontro meus momentos, ainda me animo com minhas idéias, ainda me encho de alegria, especialmente com meus filhos. Mas sinto falta de risadas, de conversas fiadas, de elogios rasgados. Sinto falta da leveza. Estou tentando recuperá-la. Juro. Sei que tem que ser um movimento meu e só meu. Assumo a minha responsabilidade. Deus sabe que nunca fujo dela. Mas não deixo de indagar: custava um pouquinho vocês pararem de me machucar desse jeito. Sem saber, sabendo. Sem querer, querendo. Com a mesma falsa ingenuidade do personagem da novelinha infantil mexicana?

Sunday, June 19, 2011

Poeminha

Está triste aqui dentro.
Está frio aqui dentro.
Está chato aqui dentro.
Dentro de mim.

Queria sair. Ou deixar você entrar. Quando foi que você foi embora? Ou será que você dormiu? Cansou? Morreu? Passou?

Passa não, por favor.

Haja calor para me descongelar. Haja dor para me desanestesiar. Haja amor para me amar.

Será que tem?
Tem não, tá em falta.
Tá bem, obrigada. Volto amanhã. Quem sabe já chegou.
Pode ser, tá para chegar.

Tomara.

Hoje volto a dormir no frigorífico. Boa noite.

Muá. Muá.

Wednesday, May 25, 2011

Eu voltei, voltei para ficar.

Não é fácil voltar. Já comecei e apaguei algumas vezes essas letras que tentam me definir. Escrever é me buscar, é me perder , é me encontrar e me perder outra vez, no meu próprio olhar. Me repito: quanto mais velha, mais boba eu fico. Boba, boba, boba. Chata, chata, chata. Feia, feia, feia. Uma criança de 35 anos, voltando a trabalhar, voltando a escrever, voltando a me expor e me impor. Marido, filhos, cachorro, se preparem. "Põe meia dúzia de Brahma pra gelar. Muda a roupa de cama. Eu tô voltando." Voltei ainda gostando de letra de música e citando Chico. E um pouco do Rei. Voltei cheia de vontade e opinião. Voltei porque cansei de guardar e esperar o fim dessa metamorfose para voar. Vou voar agora, mesmo que a asa não esteja pronta. Vou chorar agora, mesmo que seja na sua frente. Vou falar agora, mesmo que ninguém queira me escutar. Eu quero. Mais do que quero, preciso. Meu corpo pede com antigas manias. Minha cabeça pede com novas questões. Minha alma pede, como sempre pediu, pelas mesmíssimas razões.

Pronto, até rimei.

Sunday, May 15, 2011

Ninguém morre de amor

Romeu e Julieta morreram por um mal entendido porque se não fosse aquele plano mirabolante de fuga, alguns anos e muito sofrimento depois, Julieta teria três filhos com um amigo da família Capuleto e Romeu moraria com uma australiana que conheceu numa viagem de mochilão. E os dois seriam felizes e se lembrariam um do outro de vez em quando, como algo que aconteceu em outra encarnação.

Ainda assim, separação é uma merda. Qualquer um que já colocou uma vida na mala e foi embora, levando o sonho de felizes para sempre junto com a roupa dobrada e os sapatos guardados em saquinhos de pano da Mr. Cat, levou um tempo para acreditar que aquela dor um dia iria passar.

Primeiro é preciso amigos tentando abafar a angústia com abraços, dormir soluçando numa cama só sua, um anel novo para cobrir a marca da aliança. É preciso ouvir Trocando em Miúdos até o disco furar, querendo conversar com o Chico, porque ele deve saber o que você está sentindo, senão não teria escrito aquela música. É preciso matar planos, contas conjuntas, lembranças e diálogos mentais intermináveis.

Ainda assim, ninguém morre de amor.

Pode não ser muito romântico. Mas, para a preservação da nossa espécie, é um fato. Uma hora a gente descobre o que restou da gente e aprende a gostar desse resto até que aquilo que parecia tudo é só passado.

Detesto ver aqueles de quem eu gosto de verdade neste momento em que se tem certeza que sim, eles vão morrer de amor. Mas como foi bom hoje encontrar uma amiga para quem comecei a escrever este texto há quase três anos atrás e comprovar que o que ele diz é a mais absoluta verdade.

Thursday, July 16, 2009

O seu olhar

Faz 20 anos que te conheci. Cheguei à festa de um aluno da faculdade e você conversava animada com outras três pessoas. Baixinha, com umas cadeiras largas e um peito pequeno, que não fazia questão de esconder debaixo da camiseta branca, sem sutiã. Dez anos mais jovem do que eu, o que naquela época, eu considerava velha. Provavelmente não teria nem reparado em você, se você não tivesse reparado em mim. Reparado e disparado um olhar que me comeu inteirinho. As três pessoas com quem você conversava olharam para trás. Eu corei. Eu, Eduardo de Souza Martins, corado. Me senti uma menininha virgem quando se descobre um ser sexuado pela primeira vez, pelo olhar de algum sem vergonha descarado.

Foi assim e faz 20 anos. Eu que era conhecido e invejado pelas mulheres com quem saía, me vi impotente e comovido por um olhar de uma moça sem graça, cujo o único atrativo era a indisfarçável vontade de me ter.

E me teve. Você me teve contra todas as minhas vontades.

Eu casei quando queria ficar solteiro, eu fui para Guarapari quando queria ficar em casa, eu aceitei aquele emprego quando havia prometido que nunca usaria terno e gravata. Eu topei a putaria com a Juzinha e o Cláudio quando não tinha a menor vontade de trepar com a Juzinha e sabia que me consumiria de ciúmes do Cláudio. Eu me consumi de ciúmes do Cláudio e bebi litros de whisky barato enquanto você ria e segurava o meu rosto dizendo que eu não podia estar mais errado. Eu descobri que não estava errado. Eu sofri sozinho e calado, decidido a não dizer nada para não perder a ilusão de que ainda restava, escondido no seu olhar desviado, alguma vontade de me ter.

Quantas vezes eu chorei no colo de outras putas, sentindo a saudade ferir a facadas a minha dignidade. Quantas vezes jurei que ia sumir até você desaparecer de dentro de mim. Mas eu sempre voltava para casa.

E numa destas voltas, cheirando a bebida e sabonete, te vi de malas prontas, dizendo que não aguentava mais viver assim. Me ver assim.

Tentei te segurar, te abraçar, mas fui contido pelo seu olhar. Um olhar que me corroeu inteirinho. Um olhar que desejava mais que tudo nunca ter me possuído.

Faz 7 anos que você foi embora. Mas ainda existem dias como hoje em que eu acordo com vontade de te encontrar. E dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero!

A vontade passa e fica o medo do seu próximo olhar. Um olhar nem de desejo, nem de nojo. Um olhar que, ao contrário de mim, foi capaz de esquecer tudo, de perdoar tudo, e que, mesmo disfarçado com um milhão de palavras, não iria dizer absolutamente nada.

Tuesday, July 07, 2009

Nessa casa

Aqui nessa casa,
onde os dias amanhecem lindos,
onde a luz entra por todos os lados,
onde a coisa mais perfeita dorme em um quarto
e um cão quase gente ronca no outro.

Aqui nessa casa,
com as plantas que eu esqueci de regar,
com a bagunça que só eu sei fazer,
com as nossas alegrias penduradas em cima da lareira
e as nossas angústias escondidas debaixo do tapete.

Aqui nessa casa,
quando a lua está cheia na varanda,
quando mais um seriado ilumina a TV,
quando o computador outra vez está ficando sem bateria,
nada está mais presente do que a falta que você faz.