<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845</id><updated>2011-12-11T21:43:17.138-08:00</updated><title type='text'>Hoje eu acordei com vontade de escrever</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>52</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-644344979492640554</id><published>2011-07-13T07:26:00.001-07:00</published><updated>2011-07-13T07:54:42.205-07:00</updated><title type='text'>Questões minhas</title><content type='html'>Dá para magoar sem querer quando a gente conhece tão bem que sabe de cor o que faz doer? Tenho me deixado ferir tantas vezes recentemente. Por gente que me quer bem. De verdade. Quanto mais penso, mais chego à conclusão que o problema só pode ser eu. Afinal, todos esses meus queridos não se sentaram em volta de uma mesa para combinar que iam me sacanear, certo? Cada um tem o seu motivo. Também não estão muito bem, estão muito ocupados, não pensaram antes de falar. Será?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há quem diga que eu sou louca e invento metade. Mas louca eu sei que não sou. Uma pena. Acho que seria mais fácil perder a sanidade do que a felicidade. Mas estou sendo injusta com minha vida. Não sou infeliz. Nem estou deprimida, embora volta e meia me pegue considerando essa possibilidade. Estou frustrada, sim. Sozinha demais. Extremamente cansada. Com dificuldade de sentir qualquer tipo de prazer. Mas ainda encontro meus momentos, ainda me animo com minhas idéias, ainda me encho de alegria, especialmente com meus filhos. Mas sinto falta de risadas, de conversas fiadas, de elogios rasgados. Sinto falta da leveza. Estou tentando recuperá-la. Juro. Sei que tem que ser um movimento meu e só meu. Assumo a minha responsabilidade. Deus sabe que nunca fujo dela. Mas não deixo de indagar: custava um pouquinho vocês pararem de me machucar desse jeito. Sem saber, sabendo. Sem querer, querendo. Com a mesma falsa ingenuidade do personagem da novelinha infantil mexicana?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-644344979492640554?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/644344979492640554/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=644344979492640554' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/644344979492640554'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/644344979492640554'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2011/07/questoes-minhas.html' title='Questões minhas'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-6213005463199641225</id><published>2011-06-19T18:25:00.000-07:00</published><updated>2011-06-20T04:07:51.706-07:00</updated><title type='text'>Poeminha</title><content type='html'>Está triste aqui dentro. &lt;br /&gt;Está frio aqui dentro.&lt;br /&gt;Está chato aqui dentro.&lt;br /&gt;Dentro de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Queria sair. Ou deixar você entrar. Quando foi que você foi embora? Ou será que você dormiu? Cansou? Morreu? Passou?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passa não, por favor. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haja calor para me descongelar. Haja dor para me desanestesiar. Haja amor para me amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que tem? &lt;br /&gt;Tem não, tá em falta. &lt;br /&gt;Tá bem, obrigada. Volto amanhã. Quem sabe já chegou.&lt;br /&gt;Pode ser, tá para chegar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje volto a dormir no frigorífico. Boa noite. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muá. Muá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-6213005463199641225?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/6213005463199641225/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=6213005463199641225' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6213005463199641225'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6213005463199641225'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2011/06/poema-triste.html' title='Poeminha'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-7740692441350876297</id><published>2011-05-25T20:40:00.000-07:00</published><updated>2011-05-25T20:56:02.505-07:00</updated><title type='text'>Eu voltei, voltei para ficar.</title><content type='html'>Não é fácil voltar. Já comecei e apaguei algumas vezes essas letras que tentam me definir. Escrever é me buscar, é me perder , é me encontrar e me perder outra vez, no meu próprio olhar. Me repito: quanto mais velha, mais boba eu fico. Boba, boba, boba. Chata, chata, chata. Feia, feia, feia. Uma criança de 35 anos, voltando a trabalhar, voltando a escrever, voltando a me expor e me impor. Marido, filhos, cachorro, se preparem. "Põe meia dúzia de Brahma pra gelar. Muda a roupa de cama. Eu tô voltando." Voltei ainda gostando de letra de música e citando Chico. E um pouco do Rei. Voltei cheia de vontade e opinião. Voltei porque cansei de guardar e esperar o fim dessa metamorfose para voar. Vou voar agora, mesmo que a asa não esteja pronta. Vou chorar agora, mesmo que seja na sua frente. Vou falar agora, mesmo que ninguém queira me escutar. Eu quero. Mais do que quero, preciso. Meu corpo pede com antigas manias. Minha cabeça pede com novas questões. Minha alma pede, como sempre pediu, pelas mesmíssimas razões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pronto, até rimei.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-7740692441350876297?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/7740692441350876297/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=7740692441350876297' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7740692441350876297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7740692441350876297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2011/05/eu-voltei-voltei-para-ficar.html' title='Eu voltei, voltei para ficar.'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-6456908952012036532</id><published>2011-05-15T15:28:00.000-07:00</published><updated>2011-05-15T19:02:45.609-07:00</updated><title type='text'>Ninguém morre de amor</title><content type='html'>Romeu e Julieta morreram por um mal entendido porque se não fosse aquele plano mirabolante de fuga, alguns anos e muito sofrimento depois, Julieta teria três filhos com um amigo da família Capuleto e Romeu moraria com uma australiana que conheceu numa viagem de mochilão. E os dois seriam felizes e se lembrariam um do outro de vez em quando, como algo que aconteceu em outra encarnação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, separação é uma merda. Qualquer um que já colocou uma vida na mala e foi embora, levando o sonho de felizes para sempre junto com a roupa dobrada e os sapatos guardados em saquinhos de pano da Mr. Cat, levou um tempo para acreditar que aquela dor um dia iria passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro é preciso amigos tentando abafar a angústia com abraços, dormir soluçando numa cama só sua, um anel novo para cobrir a marca da aliança.  É preciso ouvir Trocando em Miúdos até o disco furar, querendo conversar com o Chico, porque ele deve saber o que você está sentindo, senão não teria escrito aquela música. É preciso matar planos, contas conjuntas, lembranças e diálogos mentais intermináveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, ninguém morre de amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pode não ser muito romântico. Mas, para a preservação da nossa espécie, é um fato. Uma hora a gente descobre o que restou da gente e aprende a gostar desse resto até que aquilo que parecia tudo é só passado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detesto ver aqueles de quem eu gosto de verdade neste momento em que se tem certeza que sim, eles vão morrer de amor.  Mas como foi bom hoje encontrar uma amiga para quem comecei a escrever este texto há quase três anos atrás e comprovar que o que ele diz é a mais absoluta verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-6456908952012036532?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/6456908952012036532/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=6456908952012036532' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6456908952012036532'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6456908952012036532'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/10/ninguem-morre-de-amor.html' title='Ninguém morre de amor'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-5138956537882880546</id><published>2009-07-16T14:26:00.000-07:00</published><updated>2009-12-06T11:34:26.203-08:00</updated><title type='text'>O seu olhar</title><content type='html'>Faz 20 anos que te conheci. Cheguei à festa de um aluno da faculdade e você conversava animada com outras três pessoas. Baixinha, com umas cadeiras largas e um peito pequeno, que não fazia questão de esconder debaixo da camiseta branca, sem sutiã.  Dez anos mais jovem do que eu, o que naquela época, eu considerava velha. Provavelmente não teria nem reparado em você, se você não tivesse reparado em mim. Reparado e disparado um olhar que me comeu inteirinho. As três pessoas com quem você conversava olharam para trás. Eu corei. Eu, Eduardo de Souza Martins, corado. Me senti uma menininha virgem quando se descobre um ser sexuado pela primeira vez, pelo olhar de algum sem vergonha descarado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim e faz 20 anos. Eu que era conhecido e invejado pelas mulheres com quem saía, me vi impotente e comovido por um olhar de uma moça sem graça, cujo o único atrativo era a indisfarçável vontade de me ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me teve. Você me teve contra todas as minhas vontades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu casei quando queria ficar solteiro, eu fui para Guarapari quando queria ficar em casa, eu aceitei aquele emprego quando havia prometido que nunca usaria terno e gravata. Eu topei a putaria com a Juzinha e o Cláudio quando não tinha a menor vontade de trepar com a Juzinha e sabia que me consumiria de ciúmes do Cláudio.  Eu me consumi de ciúmes do Cláudio e bebi litros de whisky barato enquanto você ria e segurava o meu rosto dizendo que eu não podia estar mais errado. Eu descobri que não estava errado. Eu sofri sozinho e calado, decidido a não dizer nada para não perder a ilusão de que ainda restava, escondido no seu olhar desviado, alguma vontade de me ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantas vezes eu chorei no colo de outras putas, sentindo a saudade ferir a facadas a minha dignidade. Quantas vezes jurei que ia sumir até você desaparecer de dentro de mim. Mas eu sempre voltava para casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E numa destas voltas, cheirando a bebida e sabonete, te vi de malas prontas, dizendo que não aguentava mais viver assim. Me ver assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentei te segurar, te abraçar, mas fui contido pelo seu olhar. Um olhar que me corroeu inteirinho. Um olhar que desejava mais que tudo nunca ter me possuído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz 7 anos que você foi embora. Mas ainda existem dias como hoje em que eu acordo com vontade de te encontrar.  E dizer que estraguei anos de minha vida, que eu quis morrer, que tive meu maior amor, por uma mulher que não me agradava, que não fazia o meu gênero!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade passa e fica o medo do seu próximo olhar. Um olhar nem de desejo, nem de nojo. Um olhar que, ao contrário de mim, foi capaz de esquecer tudo, de perdoar tudo, e que, mesmo disfarçado com um milhão de palavras, não iria dizer absolutamente nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-5138956537882880546?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/5138956537882880546/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=5138956537882880546' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5138956537882880546'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5138956537882880546'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2009/07/o-seu-olhar.html' title='O seu olhar'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-5034177790710269657</id><published>2009-07-07T14:17:00.000-07:00</published><updated>2009-07-07T14:40:34.102-07:00</updated><title type='text'>Nessa casa</title><content type='html'>Aqui nessa casa,&lt;br /&gt;onde os dias amanhecem lindos,&lt;br /&gt;onde a luz entra por todos os lados,&lt;br /&gt;onde a coisa mais perfeita dorme em um quarto&lt;br /&gt;e um cão quase gente ronca no outro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui nessa casa,&lt;br /&gt;com as plantas que eu esqueci de regar,&lt;br /&gt;com a bagunça que só eu sei fazer,&lt;br /&gt;com as nossas alegrias penduradas em cima da lareira&lt;br /&gt;e as nossas angústias escondidas debaixo do tapete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui nessa casa,&lt;br /&gt;quando a lua está cheia na varanda,&lt;br /&gt;quando mais um seriado ilumina a TV,&lt;br /&gt;quando o computador outra vez está ficando sem bateria,&lt;br /&gt;nada está mais presente do que a falta que você faz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-5034177790710269657?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/5034177790710269657/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=5034177790710269657' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5034177790710269657'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5034177790710269657'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2009/07/nessa-casa.html' title='Nessa casa'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-4791875958042952949</id><published>2009-06-20T17:24:00.000-07:00</published><updated>2009-06-20T17:55:15.641-07:00</updated><title type='text'>O meu filme</title><content type='html'>Sabe aquela sensação de quando um filme termina e tudo parece fazer sentido? Em duas ou três horas está tudo ali. Um início, meio e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma história de amor, de um história bonita, dessas baseadas em fatos reais, sobre alguém que comeu o pão que o diabo amassou mas conseguiu realizar seu sonho, do drama de uma guerra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Anos de vida, anos de sonhos, anos do terror terminam com uma música bonita e umas letrinhas brancas num fundo preto, que te deixam ali, pensando sobre as cenas que acabou de ver, os pensamentos que acabou de ter, as emoções que acabou de sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tudo faz sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém por favor contrata um editor para a minha vida. Alguém que faça caber em duas ou três horas a minha história de amor, os meus sonhos e os meus dramas. Talvez eu consiga fazer com que tenham sentido as 24 horas dos 365 dias dos meus 33 anos. Quem sabe eu consiga rir da piada que eu sou, me inspirar com a força que eu tenho e me compadecer dos problemas que eu tive.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque se depois de duas horas achamos que podemos chegar perto de compreender o que é ter sido um judeu numa Alemanha nazista, uma boa montagem da vida de uma mulher tão normalzinha como eu faria  (quem sabe?) com que eu finalmente me compreendesse.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-4791875958042952949?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/4791875958042952949/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=4791875958042952949' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4791875958042952949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4791875958042952949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2009/06/o-meu-filme.html' title='O meu filme'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-4511887645654511699</id><published>2009-02-17T08:52:00.000-08:00</published><updated>2009-02-17T09:00:54.865-08:00</updated><title type='text'>Filha, não se esqueça.</title><content type='html'>De todas as coisas que eu quero fazer,&lt;br /&gt;de todas as coisas que eu tenho que fazer,&lt;br /&gt;de todas as coisas que eu posso fazer,&lt;br /&gt;a mais importante é você.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-4511887645654511699?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/4511887645654511699/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=4511887645654511699' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4511887645654511699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4511887645654511699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2009/02/filha-nao-se-esqueca.html' title='Filha, não se esqueça.'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-7792609289771333757</id><published>2009-02-07T11:38:00.000-08:00</published><updated>2009-02-07T11:42:08.856-08:00</updated><title type='text'>Faz tempo que eu não me vejo</title><content type='html'>Passei aqui para dizer que estou com saudades do meu blog.&lt;br /&gt;Uma saudade meio de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-7792609289771333757?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/7792609289771333757/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=7792609289771333757' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7792609289771333757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7792609289771333757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2009/02/passei-aqui-para-dizer-que-estou-com.html' title='Faz tempo que eu não me vejo'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-2370979756440695784</id><published>2008-11-23T07:04:00.000-08:00</published><updated>2008-11-23T07:06:40.222-08:00</updated><title type='text'>Divagações de uma Manhã de Outono</title><content type='html'>Um café com leite sobre a mesa verde do parque, meu cachorro se esquentando no sol de Outono, o vento brincando de equilibrar folhas douradas no ar, minha filha dormindo tranquila dentro de uma roupa de ursinho cor-de-rosa e eu lendo um livro daqueles que me matam de inveja pela habilidade que o sujeito tem para, com algumas palavras, me fazer sentir exatamente o que ele quer que eu sinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bode que tinha acordado comigo não resistiu à minha manhã de Outono e resolveu ir passear. Quem sabe ele tenta voltar na segunda, o dia oficial dos bodes e afins. Pensei em algumas coisas e lembrei de um conversa que tive por estes dias, com um tio muito querido e que sabe de muitas coisas, mas não sabe apreciar o tempo gasto num parque lendo um livro. Literatura é perda de tempo, ele disse. Me senti quase ofendida. Literatura é tão perda de tempo quanto beijar na boca ou comer brownie com calda quente de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ler um bom livro é como dançar música lenta (não me conformo que os pré-adolescentes de hoje não dancem música lenta, tremendo de excitação e ansiedade com a aquele proximidade física). Você é levado para lá e para cá. Você se torna consciente de que a sua respiração e a de cada personagem seguem o mesmo ritmo e isso traz uma intimidade difícil de explicar. Você acompanha a música, virando cada página, torcendo para aquela história não acabar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que existem os livros certos, nos momentos certos. O livro errado, na hora errada, é como se dar conta de que o menino que te tirou para dançar tem mau hálito. Lá se foi toda o encantamento e você só é capaz de notar os pisões no pé. Mas o livro certo na hora certa, pode mudar o seu humor, o seu dia e - acredito eu - até a sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse momento, estou dançando com "A Sombra do Vento". Um livro que fala, dentre outras coisas, de livros. Recomendo para todos e, especialmente para um tio muito querido, que sabe de muitas coisas, mas anda precisando aprender a separar um tempinho para ler um livro no parque ou o que quer que faça ele se sentir como se estivesse dançando música lenta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-2370979756440695784?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/2370979756440695784/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=2370979756440695784' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2370979756440695784'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2370979756440695784'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/11/divagaes-de-uma-manh-de-outono.html' title='Divagações de uma Manhã de Outono'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-6914906414123146818</id><published>2008-11-04T05:55:00.000-08:00</published><updated>2008-11-04T05:59:53.416-08:00</updated><title type='text'>Hoje eu acordei com vontade de cozinhar.</title><content type='html'>Entre dar um peito aqui e esterelizar uma chupeta ali, consegui arrumar um tempinho para fazer um almoço diferente. Recetinha pa-pum do site Panelinha porque afinal de contas continuo mãe de primeira viagem de uma bebê de dois meses. Lentilhas com espinafre e peixe com ervas ao forno. Tudo pre-preparado para só colocar no forno depois de dar o outro peito para mamar quando o telefone toca. É meu marido avisando que não vai poder vir almoçar em casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eita, que frustraçãozinha mais dona-de-casa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-6914906414123146818?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/6914906414123146818/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=6914906414123146818' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6914906414123146818'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6914906414123146818'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/11/hoje-eu-acordei-com-vontade-de-cozinhar.html' title='Hoje eu acordei com vontade de cozinhar.'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-544306077887606511</id><published>2008-10-12T11:42:00.000-07:00</published><updated>2008-10-17T15:07:48.402-07:00</updated><title type='text'>Primeiros dias</title><content type='html'>Minha filha tem hoje um mês e meio. Dizem que o bebê demora a descobrir que ele e a mãe não são uma pessoa só. Acho que a mãe passa pelo mesmo processo. Muitas vezes me pergunto quando vou voltar a ser eu. Acho que nunca. Mas também espero não ser por muito tempo apenas essa mistura de vaca mimosa com Dona Maria. Quando não estou amamentando, ninando ou trocando fraldas, estou lavando e passando roupa e com mais um monte de "serviço" por fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha gravidez foi abençoada (depois que viramos mãe passamos a usar mais palavras assim, como abençoada). Meu parto foi exemplar. A matrona (uma espécie de parteira) me disse que, se o primeiro foi assim, com o segundo não vai dar tempo de chegar ao hospital. Não tive depressão pós-parto e nada de "baby blues", o apelido de uma tristezinha hormonal e natural das recém-mamães. Até agora posso dizer que estou muito, muito feliz. E em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dito isto, também preciso dizer que tem horas que o desespero bate. Ela chora e eu não consigo acalmá-la (pior: ela chora na rua e eu não consigo acalmá-la sob o olhar incriminador dos transeuntes), meu peito fica duro que nem pedra, meu sono está atrasado e eu cheiro à leite. Saio do banho com os seios pingando e - embora isso seja maravilhoso - estou meio cansada da fábrica da Parmalat que opera a todo vapor aqui dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou seja, minha filha é feliz e tranquila e, na verdade, até agora os dias e noites foram bem melhores do que eu imaginava. Só que a vida é mais dura fora da nossa cabeça e mesmo sendo mais fácil do que eu pensava, é muito mais difícil do que eu podia esperar. Deu pra entender?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu quero dizer e registrar aqui para que eu me lembre depois que o tempo mude a minha perspectiva das coisas é que eu estou muito feliz e ao mesmo tempo perdida e angustiada. Às vezes choro de cansaço quando ela acorda pela quinta vez em meia hora e depois me sinto culpada por não niná-la pela sexta vez com um sorriso no rosto. Aí choro outra vez. Às vezes, quando estou passando roupinhas pequenas demais para um ferro de passar, me pego pensando quando vou voltar a ter vida, se vou ser capaz de voltar a trabalhar e produzir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, depois de quase encostar a minha mão no ferro quente, lembrei da Vó. A Vó é a minha bisavó que todos chamavam de Vó, até os vizinhos ou o porteiro. Demorei anos para descobrir que o nome dela era Francisca. Nome que ela detestava, por sinal. Mas voltando ao assunto. Lembrei da Vó porque ela quase sempre tinha uma marca de queimadura do ferro nas mãos enrugadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Vó era isso: cuidar. Ela cuidava dos netos e da bisneta aqui com tanto afinco e dedicação que quando crescemos e fomos embora, a Vó foi para o céu porque  não tinha mais com quem exercer a sua vocação. E nós que fomos cuidados pela Vó por tantos anos não conseguimos pensar nela com nenhum sentimento que não seja amor e saudade. De repente, fiquei orgulhosa de estar cuidando como a Vó cuidava, e amando como a Vó amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei as roupinhas feliz (e com mais cuidado para não me queimar). Mas continuo aguardando o dia em que eu vou sentir que eu e minha filha não somos uma pessoa só. É claro que não serei a mesma pessoa de antes. Isso faz parte da maternidade. Mas espero então descobrir que sou uma boa mistura entre o que eu era, a Vó e mais alguma ou outra coisa que me faça forte, feliz e uma boa mãe, é claro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-544306077887606511?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/544306077887606511/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=544306077887606511' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/544306077887606511'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/544306077887606511'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/10/primeiros-dias.html' title='Primeiros dias'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-9177550049343877927</id><published>2008-08-05T11:59:00.001-07:00</published><updated>2008-08-05T11:59:51.371-07:00</updated><title type='text'>O tempo</title><content type='html'>Ai, o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo que anda com passos de tartaruga agora que falta tão pouco para te ver. O tempo que voa mais rápido que a luz, a partir da hora que eu te conhecer. Você me precisando logo que nascer, me venerando quando começar a crescer, me detestando quando começar a querer ser gente, me aturando quando a independência for de sonho a fato, e me precisando outra vez, de tempos em tempos, quando a vida te der as surras que vida sempre dá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Será que vou conseguir te ensinar a dizer por favor e obrigada, sim e não ou eu te amo nas horas certas? Será que vou ser capaz de ajudar você a construir sua auto-estima? Porque as mulheres, minha filha, precisam de auto-estima como precisam de ar, água e sorvete de chocolate. Será que eu tenho como te mostrar que a felicidade depende das coisas mais simples - respeito, boa vontade, amigos, sorrisos, animais de estimação, praia, alguém para dormir abraçadinho – e a tristeza é feita de coisas que nunca vamos entender – culpa, mentira, injustiça, morte, a quantidade de gente ruim nesse mundo? Será que vou dar um jeito de te ensinar certo até as coisas que aprendi errado?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, que só tenho que me perguntar, o tempo me dá todo o tempo do mundo. Na hora em que chegar a hora de te ensinar (ou pelo menos te mostrar a melhor maneira de aprender com o mundo), o tempo vai me deixar para trás, aos tropeções, tentando fazer o meu melhor, achando o meu melhor pouco e vendo você crescer tão rápido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ai, o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha filha, como vou te ensinar a lidar com  esse bendito tempo e as suas mudanças de humor?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-9177550049343877927?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/9177550049343877927/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=9177550049343877927' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/9177550049343877927'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/9177550049343877927'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/08/o-tempo.html' title='O tempo'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-3539447269565500620</id><published>2008-02-18T08:08:00.000-08:00</published><updated>2008-02-18T08:20:50.741-08:00</updated><title type='text'>Agora eu sou dois</title><content type='html'>Agora eu sou dois. Meu corpo muda tanto que meus órgãos parecem querer ir embora. A fome vem com jeito de enjôo. A felicidade vem com vontade de ficar quieta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shiii. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu, imóvel tentando ouvir você crescer em mim. Eu, com medo, tentando sentir que está tudo bem. Tentando pensar que sou um bom ninho. Ou casulo. Ou casa. E você sugando as minhas forças, meu humor, meu sentido de realidade para fazer crescer a pele que vamos acariciar, a boca que vamos alimentar, os olhos que vão ver o mundo de um jeito que vamos ter que ensinar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Penso em Deus porque não poderia acreditar que posso fazer isso sozinha. Seria poder demais, responsabilidade demais, força demais para um ser humano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ser humana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me sinto mais mulher do que nunca. Não super mulher, não confundam. Me sinto mulher inteira e de verdade, mas pequenininha diante de tudo que vai acontecer. De tudo que vai mudar. Das coisas que não vou ser capaz de mudar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um coração batendo dentro de mim e não é o meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Choro e entendo. Entendo que os homens não poderiam gerar uma vida porque se sentiriam magnânimos, capazes de tudo. Enquanto eu mal me sinto capaz de levantar da cama, de comer os legumes que te fazem bem, de não comer o chocolate que te faz mal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal me sinto capaz de escrever porque sei que não vou encontrar as palavras certas. Não vou organizá-las na ordem correta. Não vou fazer quem lê estas linhas entender tudo o que eu sinto. Um turbilhão em câmera lenta dentro do meu coração, como se o furacão tivesse a noção de que na velocidade normal te acordaria, te incomodaria, te assustaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shiii. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu sou dois e cada passo, cada pensamento, cada alimento interferem em você. Quero ser só amor, mas sou humana e volto a pensar em Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também penso em nós dois. Agora você, meu amor. Que me amava desde que eu era só um. Que me amou tanto que me fez dois. Que me ama muito agora, meio feliz, meio desconfiado, meio com medo de quando seremos três. Na verdade quatro, com o cão de pernas curtas que nos fez sentir uma família pela primeira vez .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seremos quatro, nunca tão felizes como um comercial de Margarina. Aquela felicidade falsa, insossa, pasteurizada. Teremos a nossa felicidade inconstante, recheada de incertezas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivéssemos certeza, não seria preciso acreditar. E enquanto acreditamos na mesma coisa – nós dois, nós três, nós quatro – mesmo nos dias tristes, eu vou saber que sou feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shiii. Silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora eu sou dois. Em breve seremos três. Tenho medo de nunca mais ser só eu. Mas tenho mais medo ainda de ser qualquer coisa menos do que nós, juntos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p  style="margin: 0cm 0cm 0pt; color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p  style="margin: 0cm 0cm 0pt; color: rgb(0, 0, 0);font-family:arial;"&gt;&lt;span style="font-size:14;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-3539447269565500620?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/3539447269565500620/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=3539447269565500620' title='12 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3539447269565500620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3539447269565500620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2008/02/agora-eu-sou-dois.html' title='Agora eu sou dois'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-5324496570925712207</id><published>2007-11-30T05:46:00.000-08:00</published><updated>2011-05-16T13:23:07.093-07:00</updated><title type='text'>Passeio no parque</title><content type='html'>Era um desses dias bonitos. Céu perfeitamente azul. O sol fazendo o seu trabalho de iluminar o mundo, sem nenhuma nuvem para atrapalhar. Ele  saiu para um passeio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrou num café e pediu um expresso curto. Tomou o café forte enquanto via o sujeito no balcão contar uma história a um cliente. Não ouvia o que ele dizia, mas não conseguia parar de prestar atenção. Era como assistir TV sem som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando sua mãe telefonava, sempre tirava o som da TV. Ouvia aquela voz familiar, assistia a televisão, mas não prestava atenção em nenhuma das duas coisas. Simplesmente desligava. Era a sua meditação. Nada de posição de lótus. Nada de murmúrios de homens vestidos de bata amarela. Um programa qualquer numa TV muda e a voz da sua mãe. Era bom não pensar em nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminou o café, lançou as moedas sobre o balcão, desejou um bom dia e foi embora. Estava frio, mas com tantos casacos, gorros e luvas só sentia o frio no rosto. Bochechas geladas, nariz escorrendo. Respirou fundo e viu a fumacinha sair da sua boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava se sentindo bem. Foram dois anos de inferno. Poucos dias como hoje. Muito poucos dias como hoje. Não só conheceu o fundo do poço, como morou nele. Mas hoje não estava pensando nisso. Pelo menos não tanto como em tantos outros dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje foi passear no parque. Hoje se sentiu bem. Hoje pensou coisas boas. Chegou à conclusão que o Outono era a estação de Deus. O sol entrando pelos buracos das árvores, desfolhadas. As folhas douradas no chão, brilhando, como se respondessem perguntas íntimas ao sol. Um mistura de sombra e luz. Um equilíbrio perfeito. Deus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um pássaro preto com a cauda branca andava pulando sobre a grama. Aquele jeito engraçado dos pássaros andarem, como se estivessem dizendo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;“Não, eu não sei andar direito. Eu nasci para voar.” &lt;/span&gt;Olhou para o pássaro e o pássaro olhou de volta. Olhou bem nos seus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Haxixe? Cocaína?&lt;/span&gt;, ouviu a voz de um homem que se aproximava. Desviou o olhar do pássaro, viu o homem de casaco de capuz, com jeito de quem não quer nada. Seu corpo gelou como se o inverno tivesse começado no seu estômago.  Reconheceu o tipo. Não aquele especificamente. Mas os traficantezinhos de merda que circulam por aí buscando gente fodida como ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Porra!&lt;/span&gt;, pensou. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Deus e o diabo vivem muito perto. O problema é que enquanto você tem que ficar procurando Deus, o diabo sempre te encontra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-5324496570925712207?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/5324496570925712207/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=5324496570925712207' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5324496570925712207'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5324496570925712207'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/11/passeio-no-parque.html' title='Passeio no parque'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-3039090889070646855</id><published>2007-11-26T07:26:00.000-08:00</published><updated>2007-11-26T07:35:43.817-08:00</updated><title type='text'>É dada a largada para a vida nova</title><content type='html'>Já estou em Madrid. Já tenho celular. Já tenho casa (menor do que eu queria, mais bem localizada do que eu imaginava). Já tenho telefone, internet e TV à cabo (embora ainda não tenha conseguido entender o quanto isso vai custar por mês). Já tenho quase tudo arrumado. Ah, e tenho um closet pela primeira vez na vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda não tenho a menor fluência no castellano, mas como tenho 100 canais que só falam espanhol, espero aprender na marra. Já tenho blog novo (www.minhavidadecaoemmadrid.blogspot.com) e site do meu novo trabalho (www.handmadevacations.com). Agora só falta tempo para voltar a escrever aqui. A vontade tem acordado comigo todos os dias.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-3039090889070646855?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/3039090889070646855/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=3039090889070646855' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3039090889070646855'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3039090889070646855'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/11/dada-largada-para-vida-nova.html' title='É dada a largada para a vida nova'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-4523388396714404304</id><published>2007-10-23T09:58:00.000-07:00</published><updated>2007-10-23T10:02:33.672-07:00</updated><title type='text'>O Lolo e a Varanda</title><content type='html'>Estou morando num apartamento temporário. Um colchão, uma TV, uma canga pendurada na janela fazendo as vezes de cortina. Uma mesa, uma cadeira e um laptop (sem internet). As roupas numa mala. Um geladeira com uma caixa de leite e uma garrafa de água. Tudo com jeito de daqui a pouco não estamos mais aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse apartamento tem uma varanda. Uma varanda com uma mureta de cimento pintado de bege. Nada de grade, nem de vidro. Nós, seres humanos, vemos tudo lá embaixo. O Lolo não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Lolo é um cão. Meu cão. Uma mistura de labrador com salsicha. Um cachorro forte e comprido, mas com quatro perninhas curtas. Mesmo apoiado na mureta, só com as perninhas de trás no chão, o Lolo só vê o céu. Mesmo assim, volta e meia ele vai lá, fica de pé, estica o pescoço e tenta sentir o cheiro do que está do outro lado. Encara o azul, desiste e deita. Suspira, sabendo que não tem nada que possa fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu te entendo, cão. É exatamente assim que eu estou me sentindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decidi mudar outra vez de país. Decidi mudar de vida. Fechei meu apartamento, empacotei as minhas coisas e fiquei numa varanda onde só consigo ver o céu e sentir o cheiro do que vai ser daqui para frente. Sem nada que eu possa fazer para acelerar o processo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que essa fase da minha vida tem o objetivo de me ensinar a esperar. Ao que tudo indica vou ter que aprender na marra a ter paciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por falar no assunto, dois cantores portugueses gravaram “Paciência” do Lenine e toca na rádio o dia inteiro aqui. A versão ficou bonita. João Pedro Paes e Mafalda Veiga, se interessar para alguém procurar a música por aí. Já falei aqui nesse blog que gosto quando as músicas falam comigo. E essa fala. Fala tanto que chega a irritar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo tava pedindo um pouco mais calma.&lt;br /&gt;Meu corpo tava pedindo um pouco mais de alma.&lt;br /&gt;Blá-blá-blá, blá-blá-blá.&lt;br /&gt;E o mundo espera de mim um pouco mais de paciência.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-4523388396714404304?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/4523388396714404304/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=4523388396714404304' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4523388396714404304'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4523388396714404304'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/10/o-lolo-e-varanda.html' title='O Lolo e a Varanda'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-1121957861437527153</id><published>2007-09-11T02:32:00.000-07:00</published><updated>2007-09-11T02:37:11.239-07:00</updated><title type='text'>Vida nova</title><content type='html'>Eu ando acordando com vontade de escrever, mas o tempo tem me engolido. Meu coração está sempre batendo mais rápido que o presente. Tanta coisa acontecendo. Minha vida mudando toda de novo. Outro país, outra língua, outras escolhas. Fechar tudo em Portugal e abrir um livro em branco na Espanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o Brasil fica um pouco mais longe. Logo agora que ele parecia mais perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinto tanta coisa ao mesmo tempo, sentimentos aparentemente incompatíveis brincam com o meu corpo e com a minha cabeça. Parece que tomei alguns cafés expressos a mais. Uma espécie de overdose psicológica. Estou leve e preocupada, ansiosa e calma, apaixonada e irritada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sexta-feira eu deixo de ser aquilo que sou desde que me entendo por gente (grande). Meu último dia como redatora. Meu último dia numa agência de publicidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde foi que isso tudo começou a acontecer? É claro que a gente sempre reclama, não conheço muitos publicitários que não pensem num plano B. Mas quando é que o meu caminho começou, de fato, a mudar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, aqui no blog, perguntei por aquele menina que existia no meu rosto e sumiu. Hoje me pergunto, cadê aquela mulher ambiciosa e apaixonada pelo que fazia que existia por trás daquele rostinho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma parte de mim ainda acredita que talvez seja só uma crise. Depois de um tempo separados, eu e a minha profissão iremos sentir saudades um do outro e voltaremos a viver felizes até a aposentadoria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas outra parte acredita (e muito) em todos os projetos que fervilham na minha cabeça. Vai ser difícil deixar de ser apenas a pessoa que tem as ideias para ser também a pessoa que as executa. Entretanto, contudo, todavia, tenho sentido uma enorme confiança em mim. Uma sensação boa e não muito recorrente nos últimos tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre todos os meus amigos que me apoiam e acham que eu estou certíssima, teve um que falou muitas vezes e enfaticamente para eu pensar bem. E eu agradeço. Sei que de todos ele é o que tem mais razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por mais que eu diga sempre que se nada der certo posso voltar a ser o que sempre fui, se o mercado não é amigável com quem é fiel, imagina com quem resolveu pular a cerca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais importante: por mais que essa seja uma decisão profissional, sei que nada vai ser mais afetado do que a minha vida pessoal. Num país estranho, onde não conheço ninguém, vou trabalhar em casa e ganhar pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em outro palavras: eu, Aline, 31 anos, independente e com mania de dona da razão, vou depender financeira e socialmente do meu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu devo estar louca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas considerei estas e muitas outras questões. Ainda as considero a cada minuto. E é examente pensando nelas que vou fechar os olhos e pular. O que quer que eu encontre lá embaixo vai ser novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E novo é bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-1121957861437527153?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/1121957861437527153/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=1121957861437527153' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1121957861437527153'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1121957861437527153'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/09/vida-nova.html' title='Vida nova'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-67205382702292459</id><published>2007-08-24T12:28:00.000-07:00</published><updated>2007-08-27T03:11:46.996-07:00</updated><title type='text'>Sabe a última do brasileiro?</title><content type='html'>Vergoínha pelos outros nº1:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentário de uma jovem brasileira recém-chegada a Londres quando regressa de um passeio pela cidade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;  - &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Gente, o Brasil tá com tudo aqui na Europa! Eu passo por um restaurante e o cardápio tem  feijoada, vejo uma vitrine e estão vendendo Havaianas, entro num barzinho e está tocando Tom Jobim e quando eu chego na livraria: Gabriel Garcia Márques. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vergoínha pelos outros nº2:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversa entre um comissário de bordo português e uma passageira de primeira viagem num vôo do Brasil para cá:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Ai, meu Deus do céu! Minha Nossa Senhora! Que barulho é esse?!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Calma, é só o trem de aterragem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Mas eu não sabia que aqui passava trem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Não, não. É o trem de aterragem. Como é que se chama lá no Brasil?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;- Lucineide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-67205382702292459?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/67205382702292459/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=67205382702292459' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/67205382702292459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/67205382702292459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/08/sabe-ltima-do-brasileiro.html' title='Sabe a última do brasileiro?'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-52124308954256166</id><published>2007-08-02T04:13:00.000-07:00</published><updated>2007-08-02T04:31:25.360-07:00</updated><title type='text'>Carteado</title><content type='html'>Estava lá o rei de copas, majestoso, a espera da sua dama. No começo nem deu pelo tempo a passar, de bate papo com o valete e o rei de paus. Conversa de homens, exageradas histórias de algumas canastras sujas que haviam feito no passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas rodadas depois chega a dama. Não a dele, a de paus. Uma morena bonita que levou de rastro os dois companheiros para a mesa. Um às de espadas passou por ali, mas não encontrou nada que o fizesse ficar e foi embora sem nem pestanejar. Os ases são assim, aventureiros. Sabem o valor que têm, reconhecem a sua maleabilidade e ainda assim rodam para lá e para cá, com a certeza de que no momento certo vão decidir o jogo. Deve ser bom ter tanta auto-confiança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Umas poucas cartas baixas tentavam se arranjar umas com as outras, mas um rei não pode se misturar. Uma das muitas tristezas de pertencer à família real. Mas não se deixou abalar. Pelo menos até ela chegar. Parou de respirar uns instantes quando viu a pele branca que gritava sob o vestido vermelho. Nem por um segundo pensou ser a sua dama. Não confundiria nem a sombra do seu amor platônico, seu objeto do desejo inalcançável desde que se lembrava de si mesmo. Declararia uma guerra para ficar com ela. Mas sabia ser em vão. A dama de ouros não era ainda dama e já arrastava uma carruagem pelo herdeiro do mesmo naipe, um garoto sem graça e afeminado. Doía seu coração vê-la sempre assim, passeando pelo lixo, rodando de mão em mão, à procura daquele rei que – só ela não percebia – era muito mais de valetes do que de damas. Nunca chegou a se declarar. Quase o fez, pouco antes de ser coroado. Mas depois de umas históricas bebedeiras e umas tantas figuras de bobo, decidiu fazer as pazes com o seu destino e aceitar o que era seu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixou-se ser guiado pela sua dama e encontrou o caminho para a felicidade tranquila que os reis merecem. Ao pensar no seu rosto bolachudo e no seu abraço farto, sentiu ainda mais a sua falta e ansiou que fosse a dama de copas a próxima no monte. Não era. Apenas ele e mais um par de cartas desencontradas e sem futuro ainda ficaram ali. O peso da inutilidade é ainda maior para um rei. Reparou no jogo adversário, para se distrair. Sentiu um punhal passear pelo seu coração. Três cartas descem em câmera lenta. Era a sua dama, que sorria à vontade entre o valete de copas e o coringão, num jogo sujo do qual ele não fazia parte e não parecia fazer falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Dama, sua vagabunda!, gritou com a voz trêmula. Era uma carta experiente. Sabia que, por causa daquela traição estava morto. Já não servia nem como lixo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-52124308954256166?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/52124308954256166/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=52124308954256166' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/52124308954256166'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/52124308954256166'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/08/carteado.html' title='Carteado'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-1453693537960661200</id><published>2007-07-17T10:06:00.000-07:00</published><updated>2007-07-17T10:07:49.891-07:00</updated><title type='text'>Análise da alma feminina nº 1</title><content type='html'>Ela era perfeita. Bonita e ao mesmo tempo simpática. Gostosa e ainda assim modesta. Rica, sem ser pedante. Usava um vestido que caía como uma luva. Decote que revelava o suficiente, nada vulgar. Óculos escuros que pareciam ter sido feitos naquele rosto. Boca cheia, sorriso sincero. Cabelos lisos e pele dourada, ainda mais dourada sob o sol. Andava quase em câmera lenta, tamanha graciosidade. Tomava conta do calçadão. Pernas longas, músculos fortes, sublinhados pelo salto. Salto que ficou preso entre duas pedrinhas portuguesas. A perfeição caiu no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem aviso prévio, dezenas de mulheres observadoras foram felizes ao mesmo tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o sexo feminino se satisfaz com tão pouco.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-1453693537960661200?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/1453693537960661200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=1453693537960661200' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1453693537960661200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1453693537960661200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/07/anlise-da-alma-feminina-n-1.html' title='Análise da alma feminina nº 1'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-7715819306505092066</id><published>2007-07-13T05:09:00.000-07:00</published><updated>2007-07-13T05:11:06.570-07:00</updated><title type='text'>Água</title><content type='html'>&lt;strong style="font-weight: normal;"&gt;Nunca quiseram que ficássemos juntos. Nunca. Desde o momento em que me viram. Velho, gordo. Quer dizer, velho para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt;. Gordo para &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt;. Juro que entendo. Também não gostaria que a minha filha – semi-virgem, recém-adulta – aparecesse em casa com um comedor de putas. Confesso, tenho cara de comedor de putas. Também tenho cara de funcionário. Uma aparência de quem não é, nem nunca será dono de nada. Eu compreendo o ressentimento daqueles pais. Bons pais de boa filha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho certeza de que sempre que me vêem, sempre que eu passo lá para buscá-la, que dou boa noite, eles imaginam a gente trepando. Eu em cima &lt;span style="font-style: italic;"&gt;dela&lt;/span&gt;. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ela&lt;/span&gt; de quatro, gostando. Só isso explica a expressão que eles fazem. O nojo da mãe. A inveja do pai. Inveja de eu poder dar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt; o único tipo de amor que ele não pode. Logo eu, um funcionário comedor de putas. Fico com pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt; me disse que sente os olhares, as recriminações como água. Jatos de água sempre no mesmo ponto, até machucar. Água que aparentemente só molha. Pais que aparentemente só amam. Os dois podem torturar. Tão nova e diz uma coisa destas. Tão linda e diz uma coisa destas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram-se uns meses e nada tinha passado de olhares e silêncios. Até então era um ódio cortês. Um ódio de classe média bem educada. Neste dia, quando &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt; entrou na sala, de vestidinho verde solto no corpo, sandálias altas e batom que brilha, eu sorri. Um sorriso não pensado, um sorriso que sorriu. E ofendeu aqueles pais como um tapa na cara. Eu não apenas trepava com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt;. Eu estava apaixonado por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu preferia que ele não colocasse mais os pés nesta casa, disse a mãe que quase nunca falava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Água, disse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lhe falei de um lugar onde nos sentiríamos no deserto. Sua gratidão me confortou. Partimos em silêncio. A boa filha e o funcionário comedor de putas sorridente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-7715819306505092066?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/7715819306505092066/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=7715819306505092066' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7715819306505092066'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/7715819306505092066'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/07/gua.html' title='Água'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-2088556066519883137</id><published>2007-07-13T02:43:00.000-07:00</published><updated>2007-07-13T02:54:49.083-07:00</updated><title type='text'>Al Gore Friendly</title><content type='html'>Conhecem o americano Mark Ontkush? Eu não. Tudo o que sei é que ele tem um blog chamado Eco Iron onde ele publicou um post sobre como a tela com fundo preto consome muito menos energia do que a tela com fundo branco (59 watts x 74 watts). Ele usou o google como exemplo, o que deu a estes valores uma dimensão "megawáttica". E o google respondeu com o blackle.com, basicamente o mesmo google de sempre, só que pretinho básico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E no meio disso tudo, concluí que este bloggezinho que vos fala é ecologicamente correto. Salvem o planeta! Leiam o meu blog.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-2088556066519883137?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/2088556066519883137/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=2088556066519883137' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2088556066519883137'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2088556066519883137'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/07/al-gore-friendly.html' title='Al Gore Friendly'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-6551374414756384629</id><published>2007-07-05T07:51:00.000-07:00</published><updated>2007-07-05T08:00:13.249-07:00</updated><title type='text'>A dúvida</title><content type='html'>O grande problema da dúvida é que você nunca, por nada nesse mundo, vai saber como teria sido se você tivesse escolhido aquilo que não escolheu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por exemplo, se você resolve casar com o Jorge ao invés do José, nunca vai saber como teria sido se tivesse apostado no outro. Mesmo que, por uma ironia do destino, a sua vizinha venha a ser a Sra. José e pela proximidade geográfica você saiba que ele engordou 60kg e bate nela de vez em quando, isso não quer dizer que teria sido assim se a Sra. José fosse você. Pode até servir de consolo. Qualquer ser humano minimamente normal pensaria “Ufa! Ainda bem que eu escolhi o Jorge! Já pensou se eu tivesse casado com esse traste do José?”. É justo. É reconfortante. Mas não é verdade. A verdade é que a gente só se diz isso para tentar acalmar aquele bichinho lá dentro. Aquele bichinho que sabe que nunca vai saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse bichinho tem a perfeita noção de que se você tivesse casado com o José pode ser que hoje ele fosse extremamente carinhoso porque nunca engordou e que nunca tivesse engordado porque:&lt;br /&gt;1. você cozinha mal&lt;br /&gt;2. vocês trepavam muito e bem, o que significa que ele faria muito mais exercício.&lt;br /&gt;3. na verdade ele só engordou e ficou violento porque você trocou ele pelo Jorge. (Adoro como os devaneios são sempre tão auto-centrados)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro exemplo. Você vai no restaurante e não sabe se pede a carne ou o peixe. Você pede o peixe. Seu amigo pede a carne. Linda, macia, daquelas que derretem na boca. Você pensa, eu devia ter pedido a carne. Mas a verdade é que a sua carne poderia ter passado do ponto. O seu arroz poderia ter vindo com um fio de cabelo do cozinheiro. Saber, como a gente sabe que 1 + 1 são 2, não dá para saber. E ainda: se você tivesse pedido a carne, mesmo que ela tivesse vindo muito boa, mas muito boa mesmo, você automaticamente perderia o direito de saber se o peixe estava melhor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é a dúvida que é cruel.&lt;br /&gt;Cruel é não saber como teria sido se tivesse sido de outro jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-6551374414756384629?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/6551374414756384629/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=6551374414756384629' title='5 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6551374414756384629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6551374414756384629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/07/dvida.html' title='A dúvida'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-8028633735741125122</id><published>2007-06-18T03:11:00.000-07:00</published><updated>2007-06-19T13:29:44.735-07:00</updated><title type='text'>Japão - Capítulo 3 – Os bairros de Tóquio</title><content type='html'>Saí da estação mais movimentada do Japão, Shinjuko, por onde passam por dia cerca de 2 milhões de pessoas, seguindo as placas para o lado Oeste. Este é o lado sério do bairro, uma colecção de arranha-céus, a maioria hotéis ou edifícios administrativos. É aqui que fica o Park Hyatt, o hotel do filme Lost in Translation, e o Edifício do Governo Metropolitano de Tóquio, a melhor vista gratuita da cidade e o nosso destino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São duas torres, a norte e a sul, e pode-se subir qualquer uma das duas sem pagar nada. Pego o elevador e dois ouvidos entupidos depois estou lá em cima. Dizem que nos dias claros é possível ver o monte Fuji. Não é o caso. Eu ando de janelão em janelão, embasbacada por aquele oceano de telhados. Sim, eu já sabia que Tóquio era enorme. Eu já tinha lido que 1/3 do Japão vive na cidade. Mas só então eu percebi que Tóquio é uma cidade tão grande, que as atracões turísticas não são praças, monumentos nem museus. São bairros inteiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shinjuko – Vale a pena ir até o lado Oeste para ver a vista, mas o melhor deste bairro é o lado leste, uma confusão de gente, telões e neons que resultam numa overdose de informação visual. É difícil entender onde começa e termina Kabuchiko, zona em que restaurantes turísticos convivem com puteiros e bares de strip em plena harmonia. Mas é fácil identificar os últimos, se não pelas fotos das mulheres, pelo desenho dos braços em cruz indicando que o lugar é proibido para menores de 18 anos. Também é fácil encontrar os enormes edifícios de karaoke. E nestes vale a pena entrar para conhecer. Os muitos andares com salas privadas para cantar à vontade são um “must” no Japão. Como sempre, não é fácil se entender com o idioma, mas existem menus das músicas em inglês, o que simplifica bastante. E uma hora voa quando se está cantando suas músicas favoritas, com toda a privacidade e sem nenhum motivo para ter vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Shibuya – Qualquer simpatizante de animais de estimação e bichinhos em geral fica fã da história do Hachiko, um cão que todos os dias esperava pelo seu dono na porta da estação de Shibuya e que continuou a fazê-lo diariamente, mesmo depois que o dono morreu. Uma estátua do cão foi erguida onde ele costumava ficar. Uma estátua em homenagem à lealdade do melhor amigo do homem. Não precisava muito mais do para o bairro me conquistar. Mas os maiores fãs de Shibuya, o são mais pelas lojas descoladas e restaurantes moderninhos do que pela história bonitinha do cachorro fiel. Os mais abastados caminham carregados de sacolas. Os que não estão podendo se contentam em ver vitrines e gente bonita. Antes do meio-dia, nada de muito interessante acontece no bairro. Espere até de tarde para se perder por ali e aproveite para conhecer um Pachinko. São casas de jogos eletrônicos desde luta, tiro e futebol aos slots. Jogar é divertido – eu particularmente me viciei num jogo que imita um tambor e que você tem que bater ao ritmo da música – mas olhar é uma experiência antropológica. Seja um adolescente tocando guitarra elétrica com a precisão (e a pose) de um astro do rock ou um homem bem crescidinho apostando nas corridas de cavalo virtuais, equipado com pacotes de cigarro e latas de bebidas, sem a menor intenção de ir embora tão cedo. Com certeza você vai sair dali pensando quanto dinheiro um japonês médio é capaz de literalmente jogar fora em apenas uma tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harajuko – Se for passar um domingo em Tóquio, este é o seu destino. Porque em nenhum outro dia você vai ver garotas e garotos japoneses fantasiados na ponte que passa sobre os trilhos do trem. Eles investem nas roupas, na maquiagem e na atitude. O resultado são personagens de anime em carne e osso posando para turistas do mundo inteiro que tiram tantas fotos quanto os japoneses aqui do lado ocidental. Poucas cenas podem ser tão surreais. É aos domingos também que você vai pegar o seu primeiro engarrafamento a pé. Não é brincadeira. Na rua Takeshita, parece que todos os jovens japoneses marcaram de se encontrar por ali, para ver vitrines e comer os crepes recheados vendidos a cada esquina. (Passe por ali e me diga se foi capaz de resistir ao cheiro doce que toma conta do ar). Quando quiser escapar daquele formigueiro, é só fugir para a rua mais estilosa de Tóquio, a Omotesando. Além das lojas que não precisam de apresentação, como Channel e Issey Miyake, existem muitas outras para descobrir, como a Kiddyland, com vários andares de brinquedos e a Idea Frames, com lindas opções (em conta) de design. Para descansar os pés, nada como sentar num dos cafés da rua. A maioria tem enormes janelões, o que transforma a calçada numa passarela por onde passam japoneses moderninhos da cabeça (eles adoram chapéus e cortes de cabelo descolados) aos pés. Minha sugestão é o Apartment Café, para comer o delicioso bolo de chocolate quentinho com sorvete. Na transversal Meiji Dori, fica a melhor barganha da região. A UT Store vende t-shirts lindas por 15.000 yens cada (cerca de 10€). Só a loja em si vale a visita. Do outro lado da rua, tente descobrir um bar de jazz procurando um sinal em forma de vinil. É só subir uma escadinha de ferro para entrar no pequeno ambiente. Do outro lado do balcão, envolto em fumaça de cigarro, o dono se divide entre escolher o próximo disco de jazz que vai colocar para tocar e preparar os (apetitosos) sanduíches de pastrami, a única comida servida no lugar. Também em Harajuko fica o Museu Memorial de Arte Ota. Não consigo pensar em um museu mais japonês. Tira-se os sapatos para andar pelos chão de tatame enquanto se conhece um pouco mais do Ukiyo-e, arte japonesa feita com impressões em blocos de madeira que inspirou artistas impressionistas como Van Gogh. O museu normalmente fecha na última semana do mês para troca de exposições, vale a pena se informar antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ginza – Ginza é uma ode ao consumo. Um aglomerado de lojas que são muito mais do que lojas. São arquitetura pura, em edifícios inteiros que conseguem ser a síntese de uma marca, como no caso do preto-básico-que-nunca-sai-de-moda da Channel ou no elegantérrimo prédio todo em tijolos de vidro da Hermés. São galerias de arte como na loja da Leica (na rua Chuo-ku com a Miyuki Dori) sempre com exposições de fotografia. São as “depato”, apelido das lojas de departamento, com andares e andares onde se vende de quase tudo. Nestas últimas, penso com saudades nos subsolos dedicados à comida, que aqui não é só coisa que se come (e não faltam provinhas para beliscar). É coisa que se vê, se aprecia, se admira. Principalmente os doces, mais bonitos do que gostosos, o que pode ser uma vantagem já que ver não custa nada e ainda por cima não engorda. A uma estação de metrô de Ginza, fica o Parque Hibiya. Dali para o Palácio Imperial é um pulo. Complete o passeio com uma voltinha pelos jardins, única parte da residência oficial dos imperadores que pode ser visitada. Não deixe de voltar para ver as ruas de Ginza iluminadas à noite. E se precisar fazer uma horinha até anoitecer porque não visitar a cervejaria mais antiga de Tóquio: a Ginza Lion Beer Hall. Um pouco turístico, é verdade. Mas com uma cerveja bem gelada na mão, quem se importa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ebisu –  Não conheci propriamente o bairro de Ebisu. O que conheci foi o Ebisu Garden Place, um centro com lojas, restaurantes e dois museus que valem a visita. O Museu da Cerveja, na verdade, merece uma visitinha rápida por três motivos: é de graça, tem um filme em 3D bem divertido (apesar de não dar para entender nada) e tem um bar para degustação com preços bem razoáveis no final. Já o Museu Metropolitano de Fotografia é o maior do país dedicado à fotografia e suas excelentes exposições de fotógrafos japoneses e internacionais merecem mais tempo e atenção. Atrás do museu, pode-se viver mais uma experiência fundamental no Japão: o shiatsu. Meia hora de dedos nipônicos pressionando com força seus pontos de tensão no Shiatsu Studio Wonderbeat renovam o seu ânimo para bater mais pernas pela cidade. Para chegar ao Ebisu Garden Place a partir da estação é só seguir as esteiras rolantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Asakusa – Neste bairro fica a rua mais charmosa de Tóquio, a Nakamise Dori, uma rua de pedestres ladeada por bancas vendendo artesanato e comidinhas típicas, como os bolinhos em forma de passarinho recheados com doce de feijão e os biscoitos de arroz. Chega a ser covardia. A rua começa no Portão de Kaminarimon, com sua lanterna gigante e as imponentes estátuas dos deuses do vento e do trovão e termina no Templo Senjo-ji, com a sequência de lanternas, as estátuas de Buda, o cheiro de incenso que se espalha pelo jardim cheio de construções vermelho vivo, como o Pagoda. De Asakusa também é possível fazer um passeio de barco até o centro da cidade. Vale não só pela vista da Tóquio a partir do rio, como pelo Jardim Hama Rikyu onde você desembarca. É um jardim como eu sempre imaginei que um jardim japonês seria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ueno – Ueno é o parque da cidade, onde as crianças aprendem a andar de bicicleta, os namorados alugam barquinhos para passear no lago e, infelizmente, os sem-teto adotam os bancos como residência. Ainda assim, é um gostoso passeio, principalmente se for fim-de-semana e estiver sol. As atracões mais conhecidas são a estátua do samurai Saigo Takamori, o Museu Nacional de Tóquio e o Ueno Zoo, que me deixou extremamente incomodada pelo (pequeno) tamanho das jaulas, inclusive a do fofo e disputado panda. Mas o bom mesmo foi andar por ali comprando comidinhas como Yakisoba nas bancas de rua e vendo as famílias japonesas na hora de lazer. Eu tive a sorte de assistir em Ueno o melhor espetáculo de rua da minha vida. (Teria sido excelente mesmo se eu tivesse pago um ingresso caro para vê-lo no teatro). Por isso, não hesite em sentar no chão e relaxar se por um acaso passar por um casal vestido de branco fazendo uma espécie de mímica em sintonia com uma música que sai de uma vitrola. Peço desculpas mas, assim como quase tudo que vivi nesse país, é impossível explicar melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-8028633735741125122?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/8028633735741125122/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=8028633735741125122' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/8028633735741125122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/8028633735741125122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/06/japo-captulo-3-os-bairros-de-tquio.html' title='Japão - Capítulo 3 – Os bairros de Tóquio'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-2658825344049028374</id><published>2007-06-04T06:17:00.000-07:00</published><updated>2007-06-04T08:30:18.947-07:00</updated><title type='text'>Será que a Vó* pensava assim?</title><content type='html'>Puta que o pariu são cinco da manhã. Cinco da manhã e eu tô acordada. De novo. Envelhecer é isso. É acordar antes de amanhecer não importa se eu ainda tenho sono ou não. É não conseguir dormir de novo não importa quantos carneirinhos eu conte. É passar o resto do dia batendo cabeça e passando a humilhação de acordar com o meu próprio ronco para no dia seguinte despertar às cinco da manhã outra vez. Não cheia de disposição, é claro, porque a última vez que eu acordei cheia de disposição deve ter uns 25 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que saudades de dormir demais! Que saudades de perder a hora! De acordar com o corpo todo amassado das dobras do lençol e a cara molhada numa mistura de suor e baba do travesseiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de pensar que até outro dia (na minha idade outro dia quer dizer há alguns anos atrás), quando eu ainda precisava colocar os meninos na condução da escola, já com a merenda dentro da lancheira, eu não acordava tão cedo. Nem tão fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não me importo com as rugas, com a dor nas juntas, com cortar os doces por causa da diabetes e o sal por conta da pressão alta. Não me importo nem em ganhar talco do Boticário todo Natal. Juro. Eu uso talco mesmo e o do Boticário até que é bem cheirosinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me importo um pouco com a porra do joanete que faz com que qualquer sapato vire um instrumento de tortura. Me importo também em trocar o nome dos netos e dos filhos, não tanto pelo esquecimento, mas por ser considerada gagá por uma questão semântica, quando eu sei muito bem que é quem, e qual deles vai se dar bem na vida e qual deles vai sofrer que nem um cão. (Se estivesse mesmo gagá declararia em alto e bom som quem são os doidos, os burros e os preguiçosos da minha prole e da prole da minha prole, mas ainda tenho em mim a falsidade inerente à sanidade.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também me importo com as novelas de merda de hoje, que não se comparam com Feijão Maravilha ou Bem Amado e, como se não bastasse, ainda vêm acompanhadas de um caminhão de reclames bestas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me importo em já não ter aqui os meus pais, os meus irmãos, o meu marido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o que me incomoda mesmo é meus olhos abrirem invariavelmente às cinco da manhã, de domingo a domingo, logo agora que eu não tenho um caralho pra fazer além de tricô.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*Para os que não sabem, "Vó" era a minha bisa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-2658825344049028374?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/2658825344049028374/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=2658825344049028374' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2658825344049028374'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/2658825344049028374'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/06/ser-que-v-pensava-assim.html' title='Será que a Vó* pensava assim?'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-3805602841420999561</id><published>2007-05-28T09:06:00.000-07:00</published><updated>2007-05-29T09:16:22.992-07:00</updated><title type='text'>História 2</title><content type='html'>Para quem pega transporte público cheio depois do trabalho, uma carona de um colega no fim do dia é quase tão bom quanto ganhar na loteria. Por isso, na primeira vez que Alberto ofereceu, Maria Cláudia abriu seu maior sorriso. E lá foram de conversa fiada nas intermináveis horas de engarrafamento. Foi assim um dia, outro dia, e meio que sem querer ficavam se esperando no fim do expediente. Se ele ficava preso a espera de uma ligação, ela aproveitava para revisar os relatórios de vendas. Se ela precisava de mais quinze minutos para imprimir as cópias da ata da reunião de amanhã, ele dizia a si mesmo que ainda faltava ler uns e-mails.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desciam sempre no elevador falando do trânsito, que hoje estava ainda pior por conta de um acidente na Linha Amarela. Nem percebiam, debaixo daquele mau humor padrão que devemos sentir quando sabemos que o trânsito vai mal, o prazer que lhes proporcionavam os acidentes, tanto os da Linha Amarela como os do Túnel Rebouças.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto mais tempo passavam no Gol Gti 98 prateado de Alberto, mais se conheciam.  Quanto mais se conheciam, mais queriam se conhecer. Há alguns meses, antes de começarem a dividir o espaço exíguo do automóvel, Maria Cláudia não sabia que Alberto comia uma omelete de queijo quase toda noite; que uma vez por semana almoçava com a irmã que apanhava do marido; que tinha operado o joelho esquerdo, mas sentia dores no direito; e que puxava um pouco de baba toda vez que ria, emitindo um barulhinho engraçado que fazia cócegas nos seus ouvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem Alberto sabia que Maria Cláudia tinha uma irmã gémea chamada Maria Antônia, que já nasceu morta, mas com quem ela conversava todas as noites; que era viciada em leite condensado direto na lata, com dois furos (um para beber, outro para entrar o ar e facilitar o processo); que até então seu relacionamento mais longo fora com um homem vinte anos mais velho e casado; e que tinha o seio esquerdo ligeiramente maior do que o direito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era raro Maria Cláudia se espantar porque já haviam chegado em sua casa, depois de rápidos 78 minutos no engarrafamento. Nem Alberto se sentir desconfortavelmente sozinho nos 7 minutos dali até a sua casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fácil para nós, que escrevemos e lemos, dizer que eles estavam apaixonados. Mas para os protagonistas em questão levou um bocado de tempo até se darem conta do que se passava naquele ar parado de carro-na-hora-de-pico-em-avenida-larga-de-cidade-grande, rindo quando gostavam da mesma música, chorando quando a mãe dele faleceu ou em silêncio quando acharam que ela perderia o emprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, num impulso que não era muito dela, Maria Cláudia convidou Alberto para subir. Ela não estava com vontade de ver novela e, ainda por cima, tinha ovos e queijo em casa e adoraria comer uma omelete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O excesso de espaço da casa fez com que se sentissem a quilômetros de distância um do outro. Sentiram saudades de quando o que os separava era só o freio de mão. Estavam exageradamente desajeitados. Ela chegou até a quebrar um copo. Comeram a omelete numa conversa que não fluía, cheia de monossílabos e pausas que não se encaixavam no assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lavaram a louça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficaram quietos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se beijaram, se beijaram, se beijaram, se beijaram tanto, que tinham o vermelho dos lábios quase chegando ao nariz. Ela tirou a blusa. Ele colocou a mão no seu peito esquerdo, o maior. Ele tirou a blusa e sentiu as mãos na barriga, ainda geladas da água da louça. Riram à vontade, aliviados com a volta da intimidade desaparecida. Rolaram em pé, alternando quem ficava de costas para a parede e quem tirava mais um pouco da roupa de quem. Fizeram tudo o que o leitor imagina e o fizeram algumas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já estava tarde, ou melhor cedo, e ele precisava ir. Ela precisava ficar, afinal ela morava ali. Conversa de bobos, bêbados de sacanagens e putarias, que nesse estado, nunca tem muito o que falar. Mais um beijo rápido e até amanhã. Entrou no carro ainda sentindo o suor que não era dele na pele. Lambeu o braço para sentir outra vez o gosto dela. Engatou a ré e saiu da vaga bocejando, sem ver o carro que fazia a curva a 130km/h.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o caixão terminou de descer, o ar cheirava a flores e tristeza. A família em prantos, desconsolada, e os amigos engolindo seco, com uma certa culpa por ainda estarem vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Cláudia reconheceu a irmã de Alberto - a mesma sobrancelha e o mesmo nariz -, de braços dados com um homem. Abraçou a mulher dizendo “sinto muito” e deu um murro com toda a sua força (e a de mais três) no queixo do marido violento. Ignorando a mão que latejava e a covardia do caçador que experimenta ser caça, virou as costas para os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ahs&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ohs&lt;/span&gt; e voltou para casa. Tomou um banho, colocou a roupa para lavar e fez omelete de queijo para três. Comia e ria enquanto contava para Maria Antônia e Alberto o ocorrido no cemitério mais cedo. Era mesmo uma pena eles não terem estado lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-3805602841420999561?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/3805602841420999561/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=3805602841420999561' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3805602841420999561'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/3805602841420999561'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/05/histria-2.html' title='História 2'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-8957813298104427006</id><published>2007-05-18T03:21:00.000-07:00</published><updated>2007-05-18T03:27:01.302-07:00</updated><title type='text'>365 dias com 30 anos</title><content type='html'>Amanhã eu me despeço dos meus 30 anos. E logo hoje eu ouço aquela música que diz “Could it be that I was born without a clue to carry on and still it is the same as I’m older?” Essa tal coincidência tem mesmo um estranho senso de humor. Por conta disso, no meu 365º dia de trintona, lá vou eu a pensar na vida. Olha que a televisão, o iPod e o jornal distribuído gratuitamente no metrô são as melhores invenções modernas para aqueles que, como eu, detestam pensar na vida. Mas tem horas que ter um cérebro tem seu preço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com 15 anos, nós costumamos pensar que com 30 vamos ser velhos. Com 20 e poucos, já sabemos que com 30 anos ainda não vamos ser velhos, mas achamos que vamos ser bem resolvidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Rá-rá-rá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amanhã eu já não terei 30 anos. Contrariando as minhas expectativas para a idade, não estou no auge da minha carreira, não tenho muito dinheiro no banco e, até agora, nada de filhos. Mesmo quando acho que sei o que eu quero, não tenho a menor idéia de como consegui-lo. Ainda tenho questões com o meu pai sobre quem dá menos atenção a quem. E, pasmem, às vésperas dos 31 anos completos, não consigo fazer baliza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas para contrabalançar toda esta imaturidade interna, tem a coisa da aparência. Sempre tive cara de criança, sempre me deram menos idade do que eu tinha, mas essa é uma característica que eu perdi algures nos últimos dois anos. Não sei dizer exatamente quando, só sei que – puft – sumiu. Não que eu esteja cheia de rugas ou cabelos brancos. Os poucos que a minha amiga Danyelly (assim mesmo, com dois “l” e dois “y”) descobriu outro dia só são vistos de cima, por pessoas que me fazem cafuné. Ou seja, pessoas com intimidade o suficiente para eu ser velha à vontade. Eu não estou gorda, nem tão caída assim. Pelo menos de roupa. A verdade é que quase nada mudou, só que aquela menininha não está mais lá. E eu sinto saudades dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas que se foda. Me peço desculpas por não ser a rainha da cocada preta que eu esperava ser quando tinha 20 e poucos anos e agradeço a mim mesma por ter me feito feliz de lá pra cá. Pelo menos na maior parte do tempo. Isso é grande coisa, sim. E argumento forte o suficiente para terminar aqui o último suspiro da minha crise dos 30.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-8957813298104427006?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/8957813298104427006/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=8957813298104427006' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/8957813298104427006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/8957813298104427006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/05/365-dias-com-30-anos.html' title='365 dias com 30 anos'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-1255469122083119134</id><published>2007-05-07T02:20:00.000-07:00</published><updated>2007-05-22T10:24:44.262-07:00</updated><title type='text'>Japão – Capítulo 2  -  Os templos</title><content type='html'>Antes das seis da manhã estávamos acordados. Faz parte da experiência de dormir num templo. Os hóspedes são convidados a participar da cerimônia religiosa diária. Faz frio já que estamos no alto de uma montanha – Koyasan – um dos lugares mais sagrados do Japão, centro do Budismo Sheigon. Nos vestimos apressados e somos os primeiros a chegar. Um monge ainda termina de arrumar os últimos detalhes. Os outros hóspedes vão se juntando a nós. Éramos oito. Ajoelhamos no chão sentados sobre os calcanhares, olhando para os cinco monges (um no centro, de manto roxo, e os outros em volta dele, de manto laranja), nenhum deles de frente para nós. O cheiro de incenso, o cântico hipnotizante, o soar do tambor, a maneira como os japoneses mantém uma postura ereta (muito diferente da nossa cabeça baixa e corpo curvado durante toda a missa), tudo traz uma energia muito boa e uma paz muito grande.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois das orações, o monge que conduziu a cerimônia (o de roxo) diz algumas coisas em japonês (algumas engraçadas pela reação das outras pessoas) e faz um sorteio. Tínhamos recebido umas senhas na noite anterior e mostramos nossos papéis para um senhor ao nosso lado para descobrir que meu marido tinha sido sorteado. Ele ganha um quadrinho com alguma coisa que a gente não tem a menor idéia escrita. Todos ficam impressionados, fazendo uma certa reverência para aquele que recebeu o que nos pareceu ser um esperado sinal de boa sorte (ufa).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É aniversário do meu marido. Tentamos contar para as pessoas, mas parece que ninguém entende. Deixamos para lá, felizes com o presente, e seguimos o monge escada abaixo para andar sobre saquinhos de pano cheios de areia, cada um com uma palavra (ou seria frase?). Mais um ritual que eu não entendia, mas que me fazia sentir bem, não sei bem porquê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tentamos puxar conversa e descobrir exactamente o que estava escrito naquele quadrinho. Conseguimos apenas confirmar que era boa sorte. Antes de ir embora da cidade, passamos no Centro de Informações e, já que eles falam inglês, insistimos numa tradução. O homem confabula com um colega e depois liga para o templo. Anota algumas coisas numa folha de papel e pesquisa na internet. O resultado foi “você, a natureza, o ambiente, tudo está não-escondido, revelado”. OK. Se é para trazer boa sorte está ótimo pra gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficar hospedado no Henjosôn-in foi uma das melhores experiências da viagem. Mas a quantidade de templos (budistas) e santuários (xintoístas) que aparecem na frente de um turista no Japão é enorme. Tem uma hora que cansa. Meu marido cansou primeiro, é verdade. Desisti de ir a Nikko ou Kamakura (pretendia visitar uma das duas cidades perto de Tóquio até o fim da viagem). Mas alguns dos templos realmente valeram a visita. São eles:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Senjo-in (Tóquio): Foi o primeiro que visitamos, onde aconteceu a história da fortuna. O templo é muito bonito e a rua que se pega para chegar lá, Nakamise-Dori, tem deliciosas lojinhas para comprar artesanato e provar biscoitos de arroz ou o doce em forma de passarinho, recheado de feijão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Okuno-in (Koyasan): Na verdade é um cemitério, onde no fim está o templo dedicado ao fundador de Koyasan e do Budismo Shingon, que está ali em “eterna meditação”. O passeio pela parte do cemitérios dentro da floresta é mágico. Se você estiver andando entre tumbas de mármore e não de pedra, e sem árvores sobre a sua cabeça você está na entrada nova, o que tira todo o encanto do passeio. Vale a pena voltar e passar pelas 3 pontes que levam a sala das lanternas, onde ficam milhares de lanternas acesas em honra dos mortos. Por uma pequena fortuna, você pode comprar uma lanterna e dedicar a alguém. Dizem que duas estão acesas desde a idade média. Atrás da sala das lanternas está o mausoléu. No lado esquerdo, antes do hall das lanternas, fica uma pequena cabine com uma pedra dentro. Supostamente, a pedra tem o peso dos seus pecados. Meu marido achou mais leve do que eu. Prefiro pensar que é porque ele é mais forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Kyomizu-dera (Quioto) – Na disputa pelas novas maravilhas do mundo, este templo também fica entre árvores, no alto de um morro, com vista para a cidade. A sua arquitetura é famosa por causa dos grandes pilares de madeira que seguram a varanda. Do Pagode, entre as árvores, tem-se uma bela vista da construção e impressiona saber que os pilares não têm nenhum prego. Na saída, paramos no restaurante que vende noodles e disputamos umas das mesinhas do lado de fora, com vista um lado para as árvores, no outro para a fila de gente querendo beber a água pura (kyomizu-dera quer dizer templo da água pura). Atrás do templo principal, fica um templo menor, dedicado ao amor. É divertido ver hordas de adolescentes de mini-saia rezando com vontade para encontrar a cara-metade.  Dizem que se você consegue andar de olhos fechados entre as duas pedras que estão ali, com certeza a encontrará. Na saída, reparei nos preços dos talismãs. O que ajuda a ter uma segunda chance na vida amorosa custava o dobro do preço dos outros. Mas tenho certeza que os corações despedaçados pagam sem pestanejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sanjusangendo (Quioto) – Por fora, o edifício de madeira mais comprido do mundo não tem nada de especial em relação aos outros templos. Mas as 1001 estátuas douradas da deusa da misericórdia enfileiradas do lado de dentro me conquistaram. A estátua central, com mil braços, também impressiona. Ali, escrevi meu nome e um pedido num pedaço de madeira para ser queimado numa cerimônia. Diz-se que a Kanon perdoa os seus pecados e atende ao seu pedido. Agora é esperar para ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Santuário Meiji (Tóquio) – Destruído na 2ª Guerra Mundial, foi reconstruído com madeira doada pelos cidadãos. Fica numa área arborizada, perto de um parque e da ponte onde os jovens fantasiados se reúnem aos domingos, no moderno bairro de Harajuko. Por isso mesmo é um choque. Principalmente porque tive a sorte de presenciar um casamento. Junto com muitos outros turistas, contemplei os noivos e convidados que se preparavam para a foto oficial. Ali, vendo o fotógrafo ajeitar o vestido da noiva, percebi como viajei no tempo em apenas dez minutos de caminhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estes foram os que eu mais gostei, dos poucos que vi. Poucos porque são muitos. Só em Quioto são mais de dois mil. Para os que vão ter a oportunidade de visitar alguns deles pela primeira vez fica a dica. Na entrada, lave as mãos e a boca para se purificar. Encha a panelinha de água, lave primeiro a mão esquerda e depois a direita. Coloque um pouco d’água na mão esquerda e lave a boca e, se quiser,  o rosto. Não beba direto da panelinha. Depois deixe o resto da água cair na direção do cabo e coloque-o de volta no lugar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-1255469122083119134?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/1255469122083119134/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=1255469122083119134' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1255469122083119134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1255469122083119134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/05/japo-captulo-2-os-templos.html' title='Japão – Capítulo 2  -  Os templos'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-6359925276101904863</id><published>2007-05-04T03:18:00.000-07:00</published><updated>2007-05-07T01:45:45.764-07:00</updated><title type='text'>Japão – Capítulo 1 –  Os Detalhes</title><content type='html'>Estou no meu primeiro dia no Japão, na minha primeira visita a um templo. Por 100 yens posso tirar a minha sorte. Jogo a moedinha, sacudo a caixa e tiro um palito de madeira. Procuro a gaveta correspondente aos ideogramas gravados nele. Lá dentro tem um pedaço de papel. Vamos a ele. Embaixo do texto em japonês, a tradução em inglês para a minha fortuna não é nada, nada boa. Meu marido resolve tirar outra para anular aquela. Repete todo o processo, abre outra gavetinha e a dele não é melhor do que a minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora, o que a gente faz com aquilo? Guarda? Joga fora? Pedimos ajuda a uma menina japonesa que lê a minha sorte e diz “Nôoo. Bad fortune.” Até aí eu já sabia. Mas ela me mostra uns ferrinhos e manda eu amarrar o papel ali, onde estão tantos outros, e me explica que assim eu vou negar aquela sorte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorei a idéia de poder negar a má sorte. Foi com alivio que dobrei o papel e o amarrei ali, dizendo “não, obrigada” para tudo o que é ruim. Achei justo. Comecei a admirar essa religião que te dá o direito de negar a sorte quando ela não é boa. E por via das dúvidas, voltei ao incensário e puxei mais um pouco de fumaça na minha direção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Japão é assim, cheio de rituais, de pequenos detalhes e grandes diferenças que são a melhor parte da viagem. Com horas de fuso horário na cabeça, você é obrigado a olhar por outro ângulo as coisas mais básicas como comer, tomar banho ou ir ao banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, ir ao banheiro. O vaso sanitário japonês tradicional, que você encontra em grande parte dos banheiros públicos, fica no chão. Você fica de frente para a parede e agacha. Em se tratando de banheiros públicos, onde eu não iria sentar de qualquer maneira, acaba sendo mais higiênico. É mais fácil de se equilibrar do que nos nossos, onde temos que ficar paradas no meio termo, nem em pé, nem sentadas. Mas se os vasos sanitários tradicionais assustam, eu fiquei encantada com os modernos, que você encontra na maioria dos hotéis e lojas de departamentos. Você entra no banheiro e a tampa levanta sozinha. Você senta e o assento está quentinho. Você olha para o lado e vê um controle com mais botões do que as máquinas de lavar de última geração. E assim é o Japão, um lugar capaz de fazer você escrever um parágrafo (o maior até agora) só sobre as privadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E tem a história dos sapatos. Eu respeito um povo que tira os sapatos sempre que pode. E eles tiram mesmo, na maioria dos restaurantes, nos templos e até em alguns museus. Reparei que mesmo em lugares como consultórios de dentistas estão cheios de sapatos na entrada, à espera de seus donos. Nos ryokans (hotéis tradicionais), tem um pequeno degrau logo que se entra. Seus sapatos não podem nunca subir o degrau. Ali também fica um par de chinelos que podem ir até o seu quarto, mas não podem entrar nele. E este não é a único chinelo que vai aparecer no seu caminho. Dentro do banheiro, onde fica o vaso (lá vou eu falar disso de novo), tem um outro chinelo, que só deve ser usado ali dentro. Tudo para que os pezinhos que pisam no tatame do seu quarto não tenham pisado em nenhum lugar menos limpo. Como eu disse, todas as coisinhas daquele lado do mundo são uma enxurrada de informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas na minha opinião, a maior atracão do Japão foram os japoneses. E no melhor dos sentidos, porque nunca vi um povo tão gentil. Deve haver alguma competição interna para ver quem agradece mais. Eles não economizam “arigatôs gozaimas” nem com os turistas, nem entre si. Você também não fica parado tentando se encontrar no mapa sem que apareça alguém disposto a ajudar, mesmo com a (enorme) barreira da língua. Uma senhora correu dois quarteirões atrás de mim para devolver um caneta que eu deixei na mesa do café. Não era uma Mont Blanc, era uma Bic mesmo. Num restaurante, tentamos pedir os cogumelos que a mesa ao lado comia, mas já não havia mais. Os nosso gentis vizinhos tiveram a delicadeza de colocar um pouco no prato e nos oferecer para provar. Depois pegaram um outro pratinho e encheram de edamame (aquela soja que parece uma vagem) e também colocaram na nossa mesa.  Quando a gente viu também estava falando "arigatôs gozaimas" a torto e à direita. Está certo que era uma das poucas coisas que éramos capazes de pronunciar. Mas a verdade é que os japoneses estão sempre te dando motivos para agradecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se pela postura das pessoas, pelas máscaras de gripe, pela limpeza das ruas, por nunca antes ter me sentido tão segura numa cidade grande. Fiquei com a sensação que ali as pessoas ainda dão valor a honra. E apesar de para nós, ocidentais, isso ter um quê de ingenuidade, fiquei com uma certa inveja. Ando tão desgostosa com a falta de noção do que é certo e errado no Brasil. E ali, tão longe de casa, tudo ficou mais claro. É isso que nos falta. Não só a noção de que quando fazemos algo de errado prejudicamos o todo. Mas simplesmente saber que o errado é errado, e por isso mesmo, uma vergonha para nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse conceito de honra está na história. No suicídio dos samurais, o harakiri. Na época em que, quando se cometia um crime, o governo punia também a família e os vizinhos do culpado. Vá lá... Não acho que seja certo. Mas com certeza tudo isto deixou uma boa herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora não me engano achando que os japoneses sejam tradicionais em tudo. Muitas estudantes usam as saias plissadas tão curtas que qualquer brasileira saídinha ficaria chocada. Nunca vi um povo tão moderno para se vestir quanto em Tóquio. E tenho certeza que existe muita gente muito louca fazendo coisas mais loucas ainda por lá. (Apesar de achar aquela meninada fantasiada na ponte de Harajuko tentando parecer o Marylin Manson bem menos radical do que eles imaginam que sejam.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas independente dessa filosofia de botequim toda, é muito divertido simplesmente ver os japoneses. Pode-se passar horas no Starbucks em frente à estação de Shibuya, com uma visão privilegiada do maior cruzamento (de pessoas) do mundo. Rir de como eles dormem assim que sentam no metro e acordam exatamente na hora de sair da estação, como se nunca tivessem piscado. Brincar com o idioma que até a mente menos suja consegue fazer piadinhas bobas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei pra casa  com a certeza que o melhor do Japão são os detalhes. E os detalhes mais encantadores estão nas pessoas de lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-6359925276101904863?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/6359925276101904863/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=6359925276101904863' title='9 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6359925276101904863'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/6359925276101904863'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/05/japo-captulo-1-os-detalhes.html' title='Japão – Capítulo 1 –  Os Detalhes'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-5914816091633645972</id><published>2007-03-09T11:00:00.000-08:00</published><updated>2007-03-09T11:04:16.261-08:00</updated><title type='text'>Desesperança</title><content type='html'>Há 20 anos atrás o Rio era um lugar perigoso. Uma vez, quando estava no 175, um homem tirou um facão escondido dentro de um jornal dobrado e tentou assaltar as pessoas. O motorista pisou no freio, o homem caiu e colocaram ele para fora. Foi um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 15 anos atrás o Rio era perigoso. Um dia, dessa vez no 523, um pivete arrancou o meu cordão de ouro. Eu chorei e ele me devolveu. Depois desceu do ônibus resmungando. Foi um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há 10 anos atrás o Rio era perigoso. Um dia, no carro, com a janela aberta e o sinal fechado, um menino de rua, com a mão escondida debaixo da camisa como se tivesse uma arma, mandou eu passar o rádio. Era um daqueles toca-fitas de bandeja. O motorista do carro ao lado mandou eu fechar a janela, mas o garoto segurava o vidro e o vidro não subia. O motorista do carro ao lado desceu, o garoto correu e eu levei uma bronca: “Eu não falei que era pra fechar o vidro!” Não deu nem tempo de responder que eu tentei porque ele já tinha ido embora. Foi um susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De dez anos para cá, as coisas pioraram e muito. O Rio não é mais perigoso. O Rio não é mais violento. Infelizmente, não existe palavra assustadora o suficiente para adjetivar esta cidade, que eu considero minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há cerca de um mês atrás, uma criança foi arrastada por sete quilômetros e esfolada até morrer. A mãe e a irmã assistiram sem poder fazer nada. Ficamos chocados. Desconsolados. Apareceu até na novela. Mas e daí?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabe quantas pessoas morreram vítimas da violência no estado do Rio de Janeiro desde a tragédia do João Hélio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;245 pessoas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;245 pessoas já morreram desde a última vez em que ficamos indignados, incluindo uma menina de 2 anos, baleada na cabeça um dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parece que foi ontem que aquele menino morreu. E foi. Ainda assim a violência é tamanha que mais de duzentas pessoas foram assassinadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a culpa é minha. E sua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio não ficou assim de um dia para o outro. Foi piorando susto após susto, drama após drama. E nós aceitamos. Aceitamos os ladrõezinhos de ônibus, os pivetes de rua, os arrastões, as chacinas, as balas perdidas, o ônibus 174, as guerras do tráfico, a morte do João Hélio e todas as outras que se seguiram. De crianças e idosos, de inocentes e culpados, de policiais e de bandidos. Não fizemos nada para mudar coisa nenhuma. E o que é mais assustador: não temos a mais vaga idéia do que poderíamos ter feito ou de que raios ainda podemos fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio Body Count, que literalmente conta as vítimas da violência no Rio (www.riobodycount.com.br, para quem não conhece) transformou em números reais o que antes era só uma sensação de quem acorda de um pesadelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A violência descontrolada, a falta de noção do que é certo ou errado, a apatia dos cidadãos indignados e a incompetência dos órgãos responsáveis não fazem parte de um sonho ruim. Assistimos a tudo bem acordados e não fizemos nada. Ou pelo menos, não fizemos o suficiente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio, hoje, não merece a beleza que tem. E a gente, esse tempo todo, não merecia ver o Cristo Redentor de braços abertos sobre a Guanabara toda vez que virava a cara para tudo de ruim que estava acontecendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-5914816091633645972?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/5914816091633645972/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=5914816091633645972' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5914816091633645972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/5914816091633645972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/03/desesperana.html' title='Desesperança'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-1518243978238597948</id><published>2007-02-13T08:34:00.000-08:00</published><updated>2007-02-05T08:19:39.593-08:00</updated><title type='text'>Mais perdidos do que achados</title><content type='html'>Perdi a minha montanha. A última vez que a vi ela estava lá, verde e gorda, no lugar de sempre. Agora não a encontro. Já procurei nos meus bolsos e nas minhas bolsas. Revirei minhas gavetas. Será que esqueci na casa de alguém? Não. Já teriam me ligado. Todos sabem o quanto eu adoro aquela montanha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começo tudo de novo. Todos os bolsos, todas as gavetas, no quarto da bagunça. Nada. São Longuinho, São Longuinho, se eu encontrar a minha montanha eu dou três pulinhos e três gritinhos. Posso ter deixado no carro. Corro para a rua. Olho em baixo dos bancos, no porta-luvas, no porta-malas, em baixo dos bancos de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amor, você viu onde eu deixei a minha montanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que montanha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Aquela verde e gorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não vi. Já olhou no carro?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- No armário?&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Já.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então eu não sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mochila. Ainda não procurei na mochila. Tiro tudo lá de dentro e atiro em cima da cama. Minhas mãos investigam cada milímetro, nervosas. Aquela sensação de incompetência por perder tudo. A lembrança da minha mãe, dizendo:&lt;br /&gt;- Só não perde a cabeça porque está pendurada no pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viro a mochila do avesso, sacudo e só cai um pouco de areia, daquele dia que fomos à praia. Nem sinal da minha montanha. Repenso todo o meu caminho. Será que perdi quando peguei o dinheiro do pão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Alô. É da padaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por um acaso vocês encontraram um montanha? É que eu perdi e acho que pode ter sido aí.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;- Hoje?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Peraí. (Voz abafada pela mão no telefone.) João, esqueceram aqui alguma montanha? (Pausa curta) Olha, só encontraram um guarda-chuva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Obrigada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minhas mãos percorrem mais uma vez meus bolsos, mas estão resignadas. Já sabem que vão sentir saudades daquela montanha verde e gorda.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-1518243978238597948?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/1518243978238597948/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=1518243978238597948' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1518243978238597948'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/1518243978238597948'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/02/mais-perdidos-do-que-achados.html' title='Mais perdidos do que achados'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-4082481481742894339</id><published>2007-02-05T08:17:00.000-08:00</published><updated>2007-02-05T08:19:40.011-08:00</updated><title type='text'>Sem título</title><content type='html'>Hoje estou me incomodando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico no meu caminho, me atrapalho, largo o pé para me fazer tropeçar. Escolhi esta roupa de propósito só para zombar de mim cada vez que me vejo no espelho. Passei o dia me cutucando, o dedo indicador rijo me espetando. E ainda são só três horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quero desesperadamente ir para bem longe de mim. Justo hoje que não tenho condições de lembrar o quanto sou fraca e burra, passo o dia sussurrando para a minha consciência como sou fraca e burra. E não é só falar por falar. Dou exemplos, comprovo a teoria. Como é fácil fazer gato e sapato de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pelo menos nisto sou competente. Executo perfeitamente esta tarefa de me atravancar. Meu estômago compactua e se embrulha. O gosto na minha boca hoje acordou amargo. E não melhorou nada nem com o tempo, nem com a pasta de dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não estou me aguentando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou presente demais em mim. Sim, é possível que dois corpos ocupem o mesmo espaço. Mas garanto – e garanto com terrível certeza – que a convivência dos dois não é em nada agradável. Se empurram e se espremem. Nenhum vence. Os dois perdem. Eu fico exausta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez seja isto o mau humor: não se suportar e descontar nos outros. É egoísta? Pode ser. Mas não menos do que o bom humor que, por oposição, não é mais do que despejar em quem está por perto uma dose de adoração por nós mesmos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Está explicado porque o bom humor pode ser tão irritante. E comprovado que os antônimos têm muito em comum.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-4082481481742894339?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/4082481481742894339/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=4082481481742894339' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4082481481742894339'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/4082481481742894339'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2007/02/sem-ttulo.html' title='Sem título'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-116603357414977457</id><published>2006-12-13T10:10:00.000-08:00</published><updated>2006-12-13T10:19:59.266-08:00</updated><title type='text'>História</title><content type='html'>Nossa personagem principal é a Maria. Maria tem um nome comum porque é uma pessoa comum, do tipo que você não notaria se passasse na sua frente a menos que ela pisasse no seu pé. Estatura mediana, inteligência mediana. Cabelos castanhos sem brilho, olhos castanhos sem brilho, pele castanha sem brilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa tarde, Maria pisou no pé de Cléverson. Pelo nome já dá para perceber que Cléverson não era nada comum. Se fosse Cléberson, vai lá. Mas Cléverson só poderia ser um sujeito único. Possuía olhos castanhos, mas estes eram vivos. Seus cabelos, também castanhos, caíam sobre a testa, por mais que ele tentasse colocá-los para trás. Sua pele, castanha, exalava um perfume. Perfume de homem bom. Não era alto, mas era imponente. Não era propriamente inteligente, mas tinha presença de espírito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao sentir a pisada de Maria, Cléverson não disse &lt;span style="font-style: italic;"&gt;ai&lt;/span&gt; porque não doeu. Maria era leve. Na verdade, Cléverson sorriu. Sorriu porque homens cativantes sorriem inadvertidamente. Não é culpa deles. É o que sabem fazer, os pobres coitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria não sorriu de volta porque só sorria em casa, assistindo a novela das sete na TV. Mas pediu desculpas. Maria, como a maioria das pessoas esquecíveis, era sempre bem educada. Pessoas sem educação sim, chamam atenção.  Pessoas educadas passam desapercebidas. Não fui que inventei. A vida é assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria pediu desculpas e foi embora. Desapareceu antes que Cléverson pudesse perceber. Lembrem-se, Maria era leve. Não fazia assim tanta diferença ela estar em cima ou não do seu pé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, Maria não prestou atenção na novela das sete. Nem na das oito. Não comeu o jantar. Não pregou os olhos. Só pensava no sorriso mais bonito que já haviam sorrido para ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fim da rua, depois de se despedir da mulher que tinha comido* com a desculpa de que precisava levantar cedo no dia seguinte, Cléverson foi andando devagar para casa. Pensou naquela voz doce. Naquele pé leve. Quis dançar com ela uma dessas músicas de cinema. Quis ouvi-la dizer que o amava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria e Cléverson moravam no mesmo bairro, na mesma rua, a três portas um do outro. Mas seis semanas se passaram antes que se cruzassem de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante estas seis semanas, Maria havia se perdido tantas vezes naquele sorriso, que já lhe tinha dado outros olhos, azuis; outro cabelo, menos rebelde; outro porte, mais alto. O sorriso da fantasia da Maria usava óculos, para parecer mais inteligente. E cheirava a perfume importado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cléverson, por sua vez, se lembrava perfeitamente da Maria. Da sua voz, da sua leveza, até dos seus olhos, cabelo e pele sem brilho. Com certeza teria se lembrado dela, se a tivesse visto quando ela passou ali, bem na sua frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Personagens de pouca importância para o Cléverson também são pouco importantes para a história, portanto não merecem nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-116603357414977457?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/116603357414977457/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=116603357414977457' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116603357414977457'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116603357414977457'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/12/histria.html' title='História'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-116602427908120228</id><published>2006-12-13T07:36:00.000-08:00</published><updated>2006-12-13T07:50:11.870-08:00</updated><title type='text'>Talvez</title><content type='html'>Talvez eu seja um gênio enclausurado. Uma espécie de Einstein de saias que ainda não teve a oportunidade de se revelar. Talvez eu seja completamente louca e coloque fogo no prédio daqui a dois meses e dezessete dias. Talvez eu seja um extraterrestre que foi enviado à Terra numa experiência para descobrir que raios os terráqueos pensam. Talvez minha nave-mãe estacione na porta de casa amanhã para me contar toda a verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez hoje a minha vida mude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu tenha dois admiradores secretos loucamente apaixonados por mim. Talvez o amor da minha vida goste mesmo de outra. Talvez eu tenha uma doença grave que só não foi descoberta até agora porque eu sou mais forte do que os seres humanos normais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez dê tudo certo. Talvez tudo vá por água abaixo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu escreva um bestseller. Talvez alguém faça um escândalo na noite de autógrafos. Talvez a minha história vire um filme. Talvez eu sonhe com os números da loteria. Talvez eu não jogue. Talvez eu jogue, perca o bilhete e passe o resto da vida amargurada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu tenha um anjo da guarda. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Talvez eu seja um anjo da guarda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu encontre alguém capaz de saber o que se passa na minha cabeça. Talvez eu morra de vergonha, talvez seja divertido. Talvez eu devesse ter sido veterinária. Talvez a minha vidinha seja simples, comum e ordinária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu me decepcione, talvez eu me surpreenda. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Talvez eu te decepcione ou te surpreenda.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez os melhores anos da minha vida comecem agora. Talvez já tenham passado. Talvez eu pudesse tê-los aproveitado mais. Talvez eu volte para o Brasil, talvez eu mude para a Nova Zelândia. Talvez eu não saiba nada de nada de nada. Talvez nunca venha a saber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aha. &lt;/span&gt;Talvez eu tenha toda a razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez eu seja injustamente acusada de um complô contra a vida de um ex-ditador sul-americano. Talvez eu seja realmente culpada. Talvez eu saiba quem é o culpado mas não o entregue por amor. Talvez eu aprenda a falar cinco línguas. Talvez eu volte a dançar. Talvez eu seja injusta. Talvez eu seja boazinha demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o que eu mais quero aconteça. Talvez não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Talvez a melhor parte da vida seja não ter certeza.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-116602427908120228?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/116602427908120228/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=116602427908120228' title='4 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116602427908120228'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116602427908120228'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/12/talvez.html' title='Talvez'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-116360224614862008</id><published>2006-11-15T06:47:00.000-08:00</published><updated>2006-11-15T06:52:18.133-08:00</updated><title type='text'>Algumas coisas bonitas</title><content type='html'>Que a vida não é fácil todo mundo está cansado de saber. Mas apesar de tudo (não vou aqui explicar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; porque &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; é uma coisa muito pessoal e o meu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tudo&lt;/span&gt; provavelmente não tem nada a ver com o seu) a vida é boa. Outro dia vi um filme destes que fazem a gente lembrar disso. Um filme bonito (não consigo pensar em outra palavra) sobre uma família para lá de descompensada. Exageradamente real, tragicamente engraçado, Little Miss Sunshine* encheu meu coração de coisa boa. Sabe quando parece que o seu coração de repente ocupa mais espaço dentro do peito? Não confundam com coração apertado. Coração apertado é quando todos os outros órgãos parecem ocupar mais espaço de modo que o seu o coração seja espremido, ou seja, exatamente o contrário. Não sei explicar bem porquê, mas saí do cinema com meu reservatório de otimismo recarregado e com pena de não poder agradecer pessoalmente ao produtor, ao roteirista, ao diretor e aos excelentes atores por terem feito aquele filme. Recomendo que vejam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isto me faz lembrar de um livro que eu tive a sorte de descobrir antes de ser o número um na FNAC. Tenho muita implicância com livros que são número um na FNAC e se lá ele estivesse quando o comprei, não o teria levado para casa. E se não o tivesse levado para casa, não teria rido alto sozinha no Il Cafe di Roma, nem chorado baixinho sozinha no trem. Nem teria me apaixonado de novo pelo meu cachorro. E por todos os cachorros. E pelos filhos que ainda vou ter. Porque Marley e Eu é um destes livros que você termina melhor do que começou. Um livro bonito, que eu fechei com meu reservatório de otimismo renovado e  cheia de vontade de conversar com o John Grogan e coçar atrás das orelhas do Marley. Recomendo que leiam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar destas coisas que nos lembram do lado bom da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;bida&lt;/span&gt; (não é erro de ortografia, é inside joke aqui de Portugal), me deu uma vontade de ouvir e cantar desafinadamente uma música que está tocando bastante na rádio do Brasil. Se chama Tranquilo, da Thalma de Freitas. Achei uma música, como eu posso dizer, bonita. Destas que fazem bem e recarregam o reservatório. (Quanto a encontrar com ela pessoalmente já tive a oportunidade, no Bairro Alto, e digamos que passei uma certa vergonha. Mas essa é uma outra história.) Recomendo que ouçam, de preferência pela manhã, para começar o dia com fé nele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não esperem demais destas minhas recomendações. Seria como esperar demais de um prato de macarrão, que só é tão bom porque é simples, despretencioso e confortável, além de estar sempre ao nosso alcance.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* Em Português aqui de Portugal, o filme sofreu um atentado com o título de Uma Família à Beira de um Ataque de Nervos. Não sei se tenho mais pena das pessoas que perderam o filme por causa do nome e ou das que foram assisti-lo por causa dele.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-116360224614862008?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/116360224614862008/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=116360224614862008' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116360224614862008'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116360224614862008'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/11/algumas-coisas-bonitas.html' title='Algumas coisas bonitas'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-116344884562946459</id><published>2006-11-13T12:10:00.000-08:00</published><updated>2006-11-13T12:20:56.753-08:00</updated><title type='text'>Rio de Janeiro x Eu</title><content type='html'>O Rio tem o Cristo Redentor, mas sou eu que tenho fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem a Lagoa, mas sou eu a dona da bicicleta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem a Baía de Guanabara, mas fui eu que saí para velejar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sejamos justos: o Rio tem a maior concentração de cartões postais por metro quadrado.&lt;br /&gt;Mas estes dois olhos são todos meus. São sim, foi Deus quem me deu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem o melhor bife com arroz e feijão, mas sou eu que tenho o gosto preso na língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem a água de coco, mas a sede é toda minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem o chopp gelado, mas sou eu que peço mais um, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;por favor&lt;/span&gt;. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem gente fina, mas, me desculpem, quem tem os melhores amigos sou eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem graça, mas eu tenho o senso de humor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem defeitos, mas sou eu que tenho a crítica. Ah, se tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem canções e mais canções em sua homenagem, mas ninguém as desafina como eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem a areia branca. Entretanto, contudo, todavia, os dez dedos que afundam nela são meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É verdade, o Rio tem o mar e ele é enorme. Mas sou eu que tenho as lembranças da praia num dia de férias, no verão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem a casa onde eu cresci, mas a mãe é só minha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem cheiro de maresia, mas sou eu que tenho o nariz.&lt;br /&gt;Já sou dona dele há um bom tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem gingado, mas sou eu que sei dançar. Sei sim, já me disseram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem o sol, mas é no meu rosto que ele esquenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio tem as chuvas, mas, eu garanto: são na minha cara que os pingos caem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio, podem pensar, tem tudo. Só não tem a mim.&lt;br /&gt;E sou eu que tenho o buraco no peito de saudade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-116344884562946459?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/116344884562946459/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=116344884562946459' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116344884562946459'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/116344884562946459'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/11/rio-de-janeiro-x-eu.html' title='Rio de Janeiro x Eu'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115981323521497614</id><published>2006-10-02T11:17:00.000-07:00</published><updated>2006-10-02T11:34:04.156-07:00</updated><title type='text'>Manhãs</title><content type='html'>Seu ombro é meu travesseiro, seu calor é meu cobertor e o lençol um escudo de força que nos protege de toda a maldade do mundo. O relógio grita para eu sair dali, mas a preguiça é minha amiga e não deixa. Só mais um pouco, ela sussurra nos meus ouvidos. Só mais um pouco, eu repito para você. Te prendo com as minhas pernas e você se rende, com a mesma facilidade que a minha alma se rendeu à sua há alguns anos atrás. Seus dedos se cruzam com os meus e se encaixam tão perfeitamente que ouço um ‘click’. Não queremos sexo, não queremos nada. Só nos largamos ali, num estado de semi-consicência e plena felicidade. O perfume não é meu, nem seu. É nosso. (Quem me dera poder engarrafá-lo.) O que nos espera fora deste quase quadrado macio são chatices e obrigações, asperezas e notícias tristes, problemas, poluição, burocracia, comida aquecida no microondas, gente mesquinha, trabalhos urgentes sem importância, pessoas que não nos querem tão bem. O relógio grita de novo. Calo a boca dele apertando um botão. Que pena que nem todas as bocas se calam com tão pouco. A preguiça e a responsabilidade começam a discutir na minha cabeça. Sei que você escuta porque se vira para me abraçar com força e encerrar a discussão. Só mais um pouquinho, você diz. Eu, a preguiça e até a responsabilidade obedecemos sem esforço. Não preciso abrir meus olhos para te ver ali, dançando a mesma dança de todas as manhãs. Seguro a minha respiração para sentir o bafo da sua no meu pescoço. Um sopro de ar quente com força suficiente para levantar meus pequenos pelos. Quem inventou os compromissos não tinha uma cama barata da IKEA, muito menos alguém que transformasse este monte de compensado vagabundo, molas, látex natural  e tecido anti-alérgico no melhor lugar do mundo. Começo a reunir forças para o inevitável. Ainda não vai ser hoje que vou decidir me alimentar de amor e parar de pagar o aluguel até alguém vir nos despejar de toda essa paz. Hoje é só mais um dia em que vou chegar atrasada sem entender, mas entendendo, porque não levantei mais cedo. E se já vou começar o dia correndo atrás do tempo e enfiando tudo que tenho para fazer nas horas que sobram, falo sem remorso e bem baixinho: não levanta, vamos ficar só mais um pouquinho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115981323521497614?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115981323521497614/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115981323521497614' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115981323521497614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115981323521497614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/10/manhs.html' title='Manhãs'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115892512526820670</id><published>2006-09-22T04:35:00.000-07:00</published><updated>2006-09-22T06:33:54.366-07:00</updated><title type='text'>Despedida do Verão</title><content type='html'>O sol não me engana. Já não é sinonimo de calor. Guardo as sandálias no armário. Adeus Havaianas, vestidinho tomara-que-caia, biquíni lindo que veio lá do Brasil. Sinto o cheiro das castanhas assadas na rua e me lembro que a partir de agora não tenho pés, tenho meias coloridas. Uma das diferenças de morar num país com Inverno é a atenção e o esforço dispensada às meias. Roxas, listradas, de bolinhas, com 20% de lã, com 100% de lã, que retém muito calor e muita umidade, que retém pouco calor, mas seca rápido. Uma variedade sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E por falar em secar rápido, as toalhas no Inverno não sabem o que é isto. Imagina se, de um banho para outro, elas estarão agradavelmente prontas para serem usadas de novo. Só se você não tomar banho todo dia. O que, pensando bem, pode explicar muita coisa. Mas eu, que culturalmente adquiri esta mania do banho diário, posso começar a preparar meu estado de espírito para a toalha úmida e gelada. Posso preparar meu nariz para o vento frio que corta a Rua do Sol ao Rato, um corredor de prédios antigos onde o sol demora a acordar. Posso preparar meu humor para chegar em casa e não ter vontade de tirar o casaco, porque nem lá dentro o Inverno passa. Posso tratar de desencavar forças para brigar com a preguiça que parece ter mais músculos que o Schawznegger nos anos 80.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estou sendo injusta com o frio. É bom quando a salamandra está acesa e a sala fica com aquela luz de cabana romântica.  É divertido tentar convencer meu cão a não ficar tão perto dela. Coitado, no Inverno nem tem vontade de ir à varanda ver a vida e veste uma roupinha de gola alta com gosto, de tanto frio que passa. É gostoso entrar debaixo do edredon e esquentar minhas mãos geladas nas costas do meu marido. (Não sei bem porque, mas ele não gosta.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas são mais elegantes com sobretudos, gorros e cachecóis. Os amigos aparecem mais na sua casa. O Ikea vende mantas lindas, coloridas e baratinhas, que custam menos ainda se você pensar que nos próximos meses serão suas melhores amigas. Os vinhos, os queijos, os chocolates, praticamente tudo que pode ser classificado como comida intensifica o seu gosto. No Inverno passado até aprendi a gostar de chá, que para mim sempre esteve mais para água quente com um sabor distante de nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deve ser impossível termos neve de novo. Ano passado aconteceu, mas depois de uma ausência de 50 anos, o que não deixa muitas esperanças para 2007. Adoraria ver Paris vestida de branco. Acho que sinto pela neve a atracão que os gringos sentem pela nossa areia fina e clara. É como se fossemos transferidos para outra dimensão. Uma que só vimos em fotos e filmes. Mas a neve não é a única benção que a natureza guarda para o inverno. Tem a rua que fica dourada com as folhas que caem. Tem o céu azul mais azul do que nunca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensando bem, estou ficando otimista demais. Devo estar olhando para o inverno com aquele olhar de quem já está longe faz tempo. A verdade é que em dias demais, São Pedro acorda irritado com a gente e manda a chuva para complicar tudo. As calçadas de pedra portuguesa (que só são chamadas de pedra portuguesa no Brasil) escorregam mais que sabão e temos pouca ou nenhuma vontade de colocar os pés na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tchau, Verão. Olá, Outono. E que venha o Inverno.&lt;br /&gt;Portugal pode não estar preparado para você, mas eu estou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115892512526820670?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115892512526820670/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115892512526820670' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115892512526820670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115892512526820670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/09/despedida-do-vero.html' title='Despedida do Verão'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115817224716924200</id><published>2006-09-13T11:22:00.001-07:00</published><updated>2006-09-13T11:47:20.850-07:00</updated><title type='text'>O jornal de hoje</title><content type='html'>Desculpa mas eu não entendo. Não entendo como um homem pode se enfiar à força dentro de uma mulher, rasgando a sua dignidade e suas simples esperanças de ter uma vida boa, para gozar o mesmo gozo de quando usa as próprias mãos debaixo do chuveiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não entendo como um sujeito ainda tenta interpretar o papel de esperança quando a merda já foi parar no ventilador faz tempo, respingando na cara de todo mundo. Entendo menos ainda como é que 75% dos brasileiros não conseguem sequer sentir o cheiro dessa merda toda e continuam a o admirar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;como pessoa&lt;/span&gt;. Definitivamente, eu não entendo essa gente nojenta que rouba mais do que precisa, por ossos do ofício de trabalhar na politica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Também não entendo essa vingança absurda contra as arraias. Será que alguém pensa que assim elas vão aprender a lição e não sair por aí ferroando apresentadores de TV que se acham domadores da natureza?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não entendo a polícia que se vende barato para bandidos com pinta de empresário que ligam de celulares para seus advogados de dentro do camburão. Eu não entendo o superávit de uns e o deficit de outros. Meu Deus, eu não entendo como alguém se explode pelos ares convencido que parte com a dignidade de quem contribui para a salvação, quando não faz mais do que transformar 22 pobres almas em pedacinhos de carne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não entendo como meus olhos caminham por notícias incompreensíveis com a mesma emoção de quem lê gibi velho ou bula de remédio, só para passar o tempo. Não choro, não dou gargalhadas histéricas de nervoso, não vou correndo para o banheiro vomitar. Um barulhinho de língua estalada entre os dentes, um abano morno de cabeça (quando muito) e viro a página. Eu não entendo quando fiquei burra e anestesiada. Talvez esteja só me defendendo, como fez a arraia. Mas que tipo de defesa é esta, se nada me protege de ser uma das vítimas do dia, no jornal instantaneamente esquecido de depois de amanhã?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115817224716924200?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115817224716924200/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115817224716924200' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115817224716924200'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115817224716924200'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/09/o-jornal-de-hoje.html' title='O jornal de hoje'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115799981707278626</id><published>2006-09-11T11:29:00.000-07:00</published><updated>2006-09-11T11:50:44.876-07:00</updated><title type='text'>Vida</title><content type='html'>Saindo daqui é fácil. Segue esta rua e vira à direita, na casa vermelha com uma mangueira na frente. Quando vir um parquinho com um balanço, um escorrega e uma gangorra que te acerta bem na testa, é só contornar à direita para chegar no hospital e levar 6 pontos. Passa a escola primária e o menino que você batia porque gostava tanto dele que não sabia o que fazer. Depois que passar a bicicleta, as bonecas e uma cadela vira-lata chamada Tininha, você vai ver o fim da infância. Não tem como errar. Rapidinho você chega lá. À sua direita fica a adolescência. Continua por ali que você descobre o seu corpo, a sua melhor amiga e que seus pais não são perfeitos. Pouco depois vem o primeiro namorado. Passa um pé na bunda, outro pé na bunda e você vai ver uma faculdade grande. Quatro anos depois, vire à esquerda, à esquerda de novo e na sua frente vai estar o seu primeiro emprego. Dois empregos depois, quebre a direita. Passe umas três ou quatro férias na praia e à direita vai encontrar o seu casamento. É só procurar uma igrejinha branca com um casal feliz da vida na frente. Se passar pelo primeiro namorado de novo é porque você errou. Um ou dois anos depois, você chega numa maternidade. Ali é só virar à direita e passar algumas noites em claro. Vai devagar porque esse pedaço é perigoso. Algumas brigas feias e você chega no divórcio. Vai parecer que rua acabou, mas é só impressão. Dá pra virar numa ruazinha escondida à direita. Depois contorna o fato de ser mãe "solteira" e vai chegar no amor da sua vida. Se virar à direita, você tem outro filho com ele. Cruza uma dúzia de grandes alegrias, meia dúzia de grandes tristezas e um monte de dias onde você só vive, sem se dar conta. Três netos depois, você vai chegar numa bifurcação. Ali você vai ser obrigada a ir para a direita. Quem parecia já fazer parte de você vai ter que virar à esquerda. Passado o susto, você continua em frente. Não tem outra opção. Passa um bisneto, mais algumas despedidas, e no terceiro sinal você entra à direita, numa rua sem saída. Se tiver um dia claro, vai dar para ver como você foi feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115799981707278626?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115799981707278626/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115799981707278626' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115799981707278626'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115799981707278626'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/09/vida.html' title='Vida'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115799525173255557</id><published>2006-09-11T10:17:00.000-07:00</published><updated>2007-01-30T10:32:07.799-08:00</updated><title type='text'>Balanço de um ano, um mês e onze dias</title><content type='html'>31 de Julho de 2005. Chego em Lisboa com meu marido, quatro malas e a dúvida se estou fazendo a coisa certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As quatro malas se abriram e foram se transformando na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse meio tempo, descobri que a coisa certa não existe. O lado bom é que coisa errada também não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comi menos Pastéis de Belém do que esperava comer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que já deveria ter separado a minha vida pessoal da minha vida profissional há mais tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendi que a minha casa só é a minha casa com o barulhinho das patas do meu cão batendo no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me senti culpada por deixar minha mãe sozinha no Natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E no Ano Novo&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conheci o inverno. Passei meses sem ver direito o meu pé, sempre enfiado numa meia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não conheci o João.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tive a sorte de ver a neve cair em Lisboa depois de mais de 50 anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Consigo andar na rua e não sentir medo. Mesmo que seja de noite. Mesmo que esteja sozinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que encanador se chama canalizador, e que é mais difícil fazer um ir até a sua casa consertar o autoclismo da retrete (descarga da privada) do que encontrar um taxista que não fique cheio de graça no momento em que percebe que você é brasileira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a colocar um “c” no meio de palavras como acção e contacto mais instintivamente do que eu imaginava. Mas sinto saudades do gerúndio e me recuso a atender o telefone falando “Tô”. Adoro quando alguém pede para fazer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;festinhas&lt;/span&gt; no Lolo, diz que alguma coisa é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;tão querida&lt;/span&gt; ou pergunta para mim se &lt;span style="font-style: italic;"&gt;a menina&lt;/span&gt; vai querer mais alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz 30 anos. Mas fiz 30 anos em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca fui tão dona-de-casa e a minha casa continua uma bagunça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui a Mérida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui à Copa do Mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui para o meio da montanha branquinha com o meu trenó e caí de cara na neve. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Várias vezes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei uma noite numa torre do século X e outras numa casa-barco no canal preferido de Rembrandt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andei por lugares tão perfeitos que me sentia dentro do cenário de um filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escolhi a minha cidade favorita, sendo injusta com muitas outras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que viajar vicia. Estive em nove países diferentes. Visitei umas quarenta cidades. Ainda assim, não passa um dia em que não pense em quanto do mundo ainda tenho para conhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criei este blog.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou mais calma do que jamais fui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dias, me sinto mais sozinha do que jamais me senti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descobri que a distância não afasta tanto as pessoas quanto se pode imaginar. Mas tenho medo de que o tempo afaste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendi que preciso aprender a esperar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebi que as pessoas longe de casa são mais generosas com o seu carinho e a sua atenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei à conclusão que viver em outro país é morar na casa dos outros. Eles podem até dizer para você se sentir à vontade. Mas você é sempre visita e, uma hora ou outra, acaba incomodando.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115799525173255557?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115799525173255557/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115799525173255557' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115799525173255557'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115799525173255557'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/09/balano-de-um-ano-um-ms-e-onze-dias.html' title='Balanço de um ano, um mês e onze dias'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115684888404437372</id><published>2006-08-29T03:48:00.001-07:00</published><updated>2006-08-29T08:35:28.526-07:00</updated><title type='text'>Pequenas histórias de amor</title><content type='html'>Ele a acordou com um beijo. Ela abriu os olhos sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Bom dia.&lt;br /&gt;-    Bom dia.&lt;br /&gt;-    Por que você sempre acorda sorrindo?&lt;br /&gt;-    Eu sempre acordo sorrindo?&lt;br /&gt;-    Ahã.&lt;br /&gt;-    Deve ser porque é você que me acorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Estavam entre família e amigos. Ele anunciou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Eu queria fazer um comunicado. Gostaria de dizer que eu descobri que eu gosto de chocolate.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela atravessou a sala correndo, se jogou nos braços dele e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Agora&lt;/span&gt; você é perfeito!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Tinham brigado aquela manhã. Aliás andavam brigando a toda hora. Estavam no carro com outro casal de amigos quando o assunto “separação” apareceu. Nada de sério. Apenas um “O que você faria se acabassem se separando?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tira uma das mãos do volante para segurar com força a dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele: A gente não vai se separar nunca.&lt;br /&gt;Ela: Sei lá... Não dá para saber.&lt;br /&gt;Ele: Eu sei.&lt;br /&gt;Ela: Como é que você sabe?&lt;br /&gt;Ele: Eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Eles foram casados por 42 anos. Tiveram três filhos. Dois netos. Não falavam muito, mas ainda davam as mãos sempre que elas estivessem perto. Ela faleceu de câncer. Três meses depois ele morreu. De nada. Só morreu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Era a terceira vez que saíam. Não tinham trocado nada além de muita conversa e alguns beijos. Subiram até a casa dele. Não demorou muito até começarem a tirar suas roupas. Ela a blusa dele. Ele a blusa dela. Parou para olhar seus seios. Soube naquele instante o quanto ainda seria louco por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;********&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nunca tinham falado assim. Mas saiu como se tivessem ensaiado muitas e muitas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-    Eu te amo.&lt;br /&gt;-    Mais que ontem.&lt;br /&gt;-    Menos que amanhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim foi.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115684888404437372?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115684888404437372/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115684888404437372' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115684888404437372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115684888404437372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/pequenas-histrias-de-amor_29.html' title='Pequenas histórias de amor'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115582379677479576</id><published>2006-08-17T07:07:00.000-07:00</published><updated>2006-08-17T07:16:27.516-07:00</updated><title type='text'>Nostalgia</title><content type='html'>Quando era mais nova, minha mãe tocava violão. Ela tinha dois cadernos com as cifras e letras favoritas e passávamos madrugadas acordadas, ela tocando e a gente cantando. Só mãe mesmo para conseguir me ouvir cantar noite adentro. Nessa mesma época tínhamos um Chevette, sem rádio, e cantávamos sem a companhia do violão no engarrafamento para sair da Barra da Tijuca. Só mãe mesmo para me ouvir cantar à capela, ainda por cima no engarrafamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma destas músicas era Disparada. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Prepare o seu coração pras coisas que eu vou contar, eu venho lá do sertão, eu venho lá do sertão, e posso não lhe agradar. &lt;/span&gt;Para quem não conhece, é uma daquelas músicas difíceis de cantar porque toda hora você se confunde, canta a estrofe errada e, quando vê, voltou para o começo de novo. Esse era o nosso desafio: cantar até o fim sem errar. E foi nesse contexto que essa música angustiada sobre um boiadeiro que aprendeu a dizer não e ver a morte sem chorar marcou a minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Disparada foi composta por Geraldo Vandré e empatou em primeiro lugar com A Banda no Festival da TV Record de 66, na voz de Jair Rodrigues. Mas ao contrário da música mais conhecida do Chico, nunca havia escutado Disparada de outra maneira que não no violão da minha mãe e cantada por nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi por uns 10 anos até eu descobrir que Disparada abria o CD O Grande Encontro 2, que reúne Elba Ramalho, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho. Comprei correndo o CD, cheguei em casa e coloquei para tocar. Alguns acordes depois desembestei num choro profundo como poucos. Olha que eu sou rodada em choros. Mas esse tinha alguma coisa de especial. Não era de tristeza, nem de alegria. Era por ter sido transportada de volta no tempo e não poder ficar lá mais do que uma fracção de segundo. Era por momentos de intimidade entre mãe e filha que por nada nesse mundo poderiam voltar. Eu ainda estou aqui. Minha mãe, graças a Deus, também. O violão fica encostado na parede e os cadernos estão guardados em algum lugar. Mas Disparada não era mais uma música que só existia para nós, na nossa casa ou num carrinho velho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo é orgulhoso. Se tem alguma coisa que ele não faz é voltar atrás.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115582379677479576?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115582379677479576/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115582379677479576' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115582379677479576'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115582379677479576'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/nostalgia.html' title='Nostalgia'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115531216705424051</id><published>2006-08-11T09:01:00.000-07:00</published><updated>2006-08-16T06:53:00.246-07:00</updated><title type='text'>Minha pequena homenagem à gula</title><content type='html'>Quem nunca fez um furo numa lata de leite condensado, faça. Quem nunca misturou Oreo com morango, fandangos com brigadeiro, macarrão com queijo e pêra, misture. Quem nunca leu O Clube dos Anjos (Gula) do Luís Fernando Veríssimo, leia. Quem não assistiu Como Água para Chocolate, assista. Quem nunca comeu a picanha do Braseiro não sabe a saudade que eu sinto. Quem nunca provou batatas fritas com queijo ralado não conhece a Lia. Quem sai de casa sem tomar café da manhã, é melhor mudar os hábitos. Pular refeições faz mal e engorda. Quem não fica em dúvida na frente do cardápio de um restaurante bom não me entende. Quem não fica triste porque não aguenta a sobremesa me entende menos ainda. Quem assiste Mesa pra Dois e não tem vontade de levar o Alex Atala pra jantar só pode ser homem. Quem não tentou gostar de sushi pelo menos cinco vezes, tente de novo. Vale a pena. Quem nunca experimentou sorvete de guaraná ou rosca rosa não é da minha família. Quem nunca comeu pato em Paris, sorvete na Itália, sauerkraut na Alemanha, bode em Pernambuco ou o cachorro quente da Universal Studios, viaje. Quem nunca voltou na geladeira para pegar mais um pedaço de pudim não é uma pessoa confiável. Quem não sai da dieta tem um parafuso a menos. Ou dois. Quem nunca gastou mais do que devia num jantar, abra a carteira. Quem gasta mais do que devia em restaurantes toda hora, pare. Comer bem não custa caro. Quem não tem uma comida que faz com que se sinta melhor, é uma pena. Quem não pensa besteira quando vê uma Nhá Benta não sabe o que está perdendo. Quem nunca comeu o miojo do meu marido às 4 da manhã, pode tirar o cavalinho da chuva. Quem não tem muito prazer em comer, esquece.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115531216705424051?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115531216705424051/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115531216705424051' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115531216705424051'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115531216705424051'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/minha-pequena-homenagem-gula.html' title='Minha pequena homenagem à gula'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115505865942782646</id><published>2006-08-08T10:36:00.000-07:00</published><updated>2006-08-08T10:37:39.440-07:00</updated><title type='text'>Amador</title><content type='html'>Amador. Segunda definição do Dicionário Aurélio. Adjetivo. Diz-se daquele que se dedica a uma arte ou ofício por prazer. Nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui no palco somos todos amadores. Até mesmo os profissionais. Fazemos música e dança por amor. Por instinto. Porque quando nos encontramos com o Flamenco, ele já fazia parte de nós. Sem nenhuma razão. E como tudo que nos toma nessa vida, sem muita explicação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocar flamenco é hipnotizar os sentidos e envolver a alma com ritmos fortes, complexos, marcados. Cantar flamenco é emitir sons e dizer mais do que palavras. Dançar flamenco é fazer música com os pés e poesia com as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na arte flamenca nenhuma emoção é excluída. Celebra-se a alegria em um Tango, mas também a tristeza em um Chientos e, porque não, o desespero em uma Sigerija. Através do flamenco, comemoramos a paixão e extravasamos o ódio. Ou vice-versa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Flamenco é acima de tudo sentimento. E como sentimentos são sempre mais intensos quando compartilhados, sejam bem-vindos. Temos certeza que, em breve, na platéia também serão todos amadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amador. Sexta definição do Dicionário Aurélio. Substantivo masculino. Entusiasta. Apreciador. Vocês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como escreveu Clarice Lispector sobre o Flamenco, “Não era espetáculo, não se assistia: quem ouvia era tão essencial como quem batia os pés em silêncio.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Obs.: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Esse texto é antigo e foi gravado para abrir um espetáculo de Flamenco que fizemos em 2002. &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115505865942782646?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115505865942782646/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115505865942782646' title='1 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115505865942782646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115505865942782646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/amador.html' title='Amador'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115503568987743679</id><published>2006-08-08T04:08:00.000-07:00</published><updated>2006-08-11T09:04:20.486-07:00</updated><title type='text'>O outro lado</title><content type='html'>Júlia desceu o elevador carregando Clara no colo. Ainda não tinham encontrado uma casa para morar e estavam hospedados no hotel que a empresa do marido pagara. Um bom hotel. O marido mais uma vez trabalhava até tarde, apesar de ter prometido chegar a tempo de dar o jantar à Clara. Coitado, andava trabalhando tanto. Mas não podia mais esperar. Clara já estava ficando com sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou ao restaurante do hotel e não precisou falar nada. O garçom abriu um sorriso para Clara e perguntou:&lt;br /&gt;-    Uma sopa de legumes?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júlia sorriu gentilmente, fazendo com a cabeça que sim. O garçom se foi enquanto ela se recostava numa poltrona de couro e Júlia brincava com um ursinho de plástico. Ergueu os olhos e lá estava ela. A hóspede que desce com um livro e pede um drink rosado num copo de martini para beber sozinha. Ficava encantada com a beleza daquele líquido naquele copo. Beber sozinha no bar de um hotel enquanto lê um bom livro era uma coisa Júlia nunca tinha feito. Tinha 23 anos quando a Clara nascera. Havia muita coisa que não tinha feito. A sopa chegou. Pegou um pouco da lateral, onde estaria menos quente, e soprou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adorava seu marido e sua filha, mas naqueles dias à hora do jantar, enquanto fazia aviãozinho com uma colher para a bebê mais linda do mundo, não conseguia deixar de sentir inveja daquela ausência de dependência. Uma mulher que se bastava e sozinha estava muito bem acompanhada. Não era propriamente bonita, mas tinha uma certa elegância natural e aparentava ser bem-sucedida, não só pelas roupas caras e o cabelo bem cuidado. Exalava confiança. Era bem-sucedida com certeza. Podia fazer o que quisesse, a hora que bem entendesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tentou se imaginar com aquele copo na mão. Poderia se apresentar, pedir um drink também e saber mais sobre a mulher misteriosa. Não tinha muito o que fazer até seu marido chegar. Mas seu devaneio foi interrompido por um respingo de sopa que voou no seu rosto. Pensou nos seus cabelos presos de qualquer jeito para trás e nos chinelos que trazia nos pés, enquanto limpava o resto de sopa morna da testa com um guardanapo. Uma mulher ocupada demais para uma mãe que não tem feito muito mais do que trocar fraldas. Fez graça para a filha que a olhava de lado com medo de levar uma bronca. Derreteu-se com aquela visão. Pegou-a no colo fazendo cócegas com a boca no seu pescoço e subiu para fazê-la dormir. Antes do elevador chegar, ainda olhou mais uma vez a mulher do livro e do drink. Lá estava ela, totalmente alheia à sua presença no restaurante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;*******&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andrea estava no seu segundo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cosmopolitan&lt;/span&gt; e no sexto capítulo do novo romance quando a mãe chegou com a bebê. Nas últimas noites, quando descia para o bar na tentativa de não se sentir tão sozinha no quarto, aquela jovem mãe descia para dar o jantar à sua filha. Não parecia ter mais do que 25 anos. Era linda, com os olhos claros e os cabelos lisos, bonitos mesmo presos para trás sem o menor cuidado. A criança não parecia com ela. Tinha uma beleza diferente. Devia ter puxado o pai.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era uma mulher de ter inveja. E nem sabia se era inveja ou melancolia o que sentia quando a via chegar. Quando criança não sonhara em ser uma mulher divorciada e sem filhos com um bom trabalho e algum dinheiro. Não tinham sido estes os planos que fizera para ela. Mas foi assim que aconteceu. E na verdade era feliz em grande parte do tempo. Quantas pessoas podem dizer isso a respeito de si mesmas? Pensou como teria sido se tivesse tido um filho com o Jorge. Pesou se teriam superado a crise que acabou o casamento se um filho estivesse em jogo. Provavelmente não. Mas seus pensamentos foram interrompidos por aquela cena. A bebê agitou a colher e um bocado de sopa acertou a testa da mãe. Teve vontade de rir. Desviou o olhar para o livro. Deu mais um gole no seu drink.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tinha 30 e poucos anos. Ainda havia tempo para encontrar alguém com quem pudesse (e quisesse) ter um filho. Será? Quando viu a mãe fazer cócegas na filha com uma intimidade que não conseguia imaginar, teve vontade de se apresentar. Poderia dizer “&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Olá, eu sou Andrea. Sempre te vejo aqui no restaurante. Sua filha é linda.&lt;/span&gt;” Esquece. Mulheres com filhos são ocupadas demais para mulheres sem filhos. Todas tem aquele ar de que já cumpriram a sua missão no mundo: dar continuidade à humanidade. Devia ter muito o que fazer para conversar com uma estranha no bar. Seria melhor voltar para o livro. Um bom livro e um belo drink. Ficaria bem. De qualquer forma, mãe e filha já iam embora, totalmente alheias à sua presença no bar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115503568987743679?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115503568987743679/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115503568987743679' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115503568987743679'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115503568987743679'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/o-outro-lado.html' title='O outro lado'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115445741619678176</id><published>2006-08-01T11:23:00.000-07:00</published><updated>2006-08-01T11:39:15.190-07:00</updated><title type='text'>Saudade</title><content type='html'>Foi bom ter a casa só pra mim de novo. Escrevi umas besteiras no computador. Morri de chorar vendo Walk the Line no DVD. Tomei água do gargalo. Fui no banheiro com a porta aberta. Dormi sem roupa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa sensação já, já passa. Fica a saudade. Saudade de ter por perto uma amiga como poucas, daquelas que a gente ri junto sem motivo nenhum. Saudade da cara de safado do meu afilhado, dos beijos babados e de como a cada dia ele dizia melhor o meu nome. (Foi no último dia que senti ele mais próximo, fazendo “brrrr” na minha barriga e se divertindo com o fato de realmente me fazer sentir cócegas). Saudade de como nossos maridos se dão bem e de que como com vocês por perto tudo parece tão casa, tão confortável. Saudades que não passam nem com mil skypes, como ela escreveu no bilhetinho escondido que deixou na caixa dos meus óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Têm sido dias difíceis. A morte da minha avó mexeu muito comigo. A gente se afasta de quem gosta, se acostuma com a distância e quando descobre que nunca vai poder dizer o quanto essa pessoa é importante, sente que perdeu muito tempo precioso fazendo coisas tão irrelevantes quanto ler as notícias no Blue Bus ou reclamar da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha avó foi uma avó no melhor sentido da palavra. O queijo quente sem casca cortado em quatro, a música que ela fez pra mim (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Aline, Aline, Aline Macarrão&lt;/span&gt;), os nossos jogos de buraco (foi minha avó quem me iniciou no vício de jogar cartas), o leite de colônia que ela passava no meu rosto e me deixava impressionada com quanta sujeira ficava no algodão (aquilo era como passar álcool na pele!), as embalagens vazias que ela guardava para eu brincar, os bonequinhos com ímã que se beijavam quando chegassem perto. Pensar na Vó Laurita é como dar corda numa caixa de música que toca as lembranças mais gostosas da minha infância.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu, estúpida, nunca disse isso a ela. Nunca disse que mesmo no Rio, já adulta, pensava que se ela estivesse perto ia passar na padaria para comprar pão quente e depois ir lá para lanchar. E eu, estúpida, vim morar em Lisboa sem encontrar tempo para ir a Brasília me despedir. E eu, estúpida, liguei pouco, escrevi pouco, falei pouco. Podem dizer que não, mas tenho certeza que minha avó se foi sem ter idéia de tudo o que significou para mim e de quanta saudade deixou. Só me resta acreditar que agora ela esteja em algum lugar onde possa se ver pelos meus olhos. Ela se veria com imenso carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao que parece, assim como na música da Amália Rodrigues, “a minha canção é saudade”. Menos mal que só sentimos saudades de coisas boas. Hoje, especialmente, de uma amiga espetacular e de uma avó maravilhosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Termino com um beijo para as duas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115445741619678176?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115445741619678176/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115445741619678176' title='3 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115445741619678176'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115445741619678176'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/08/saudade.html' title='Saudade'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115393770968421594</id><published>2006-07-26T11:11:00.000-07:00</published><updated>2006-07-27T10:52:49.576-07:00</updated><title type='text'>Um cachorro feliz</title><content type='html'>Ela sobe a rua e balança as chaves  para eu saber que ela já está lá. Corro até a varanda para ver ela chegar. Fico tão feliz que não sei se pulo ou se choro, então faço os dois ao mesmo tempo. Ela abre a porta e quase cai com o meu peso em cima dela. Me faz carinho até eu me acalmar. Entra em casa e eu vou derrapando atrás dela. Agora já não desgrudo. Me deito aos seus pés por um tempo. Depois arrisco ir pegar uma bola para ver se ela quer brincar. Quando ela quer, meu dia está feito. Finge que joga a bola. (Ela sempre finge que joga primeiro, só pra me provocar.) Depois joga e eu vou lá buscar. Trago de volta esbaforido, mas não deixo ela pegar. Ficamos assim por algum tempo e começamos tudo de novo. Ela me olha como quem não entende como é que tanta felicidade pode vir de uma bola. Eu olho para ela como quem não entende porque ela parou de brincar. Deito com o rosto entre as patas e suspiro. Ela me convida para passear. Aceito, é claro. Desço as escadas correndo e volto, insistindo para ela se apressar. Ando sentindo todos os cheiros que há para sentir. Vou na frente, mas sempre paro para ver se ela ainda está lá. E ela sempre está. Sorrio e volto a andar. Quando dou por mim, estamos em casa outra vez. Lá se foi a melhor parte do meu dia, mas tudo bem. Amanhã tem mais. Subo doido para entrar em casa, mas ela insiste em me limpar. Finjo que não é comigo mas não adianta. Lá vem ela esfregar aquele lencinho com cheiro de bebê nas minhas patas e em outros lugares humilhantes demais para eu falar. Dever cumprido. Bora lá beber água. Enfio o focinho na tigela de água fresca e jogo água pelo chão só para pisar em cima e deixar marcas da minha pata no chão da cozinha. Ela me pergunta “Tá com fome?” e já sei que chegou a outra melhor hora do meu dia. Respondo lambendo minha própria cara e ela enche a tigela de comida. Às vezes como tudo, às vezes guardo um pouco pra mais tarde. Depois vou limpar o focinho no tapete ou no sofá. Ela já está lá, esparramada, assistindo TV. Aproveito para me aconchegar. Ela coça atrás das minhas orelhas. Me derreto todo e viro de barriga para cima, como quem diz “Vai... Coça a minha barriga também.” Ela segura o meu focinho para conseguir me dar um beijo sem levar uma lambidela na cara, olha nos meus olhos e diz: “Como é que eu posso amar tanto um cão?” Eu olho para ela e penso: “Como é que eu posso amar tanto um ser humano?” Depois fecho os olhos e aproveito para tirar um cochilo, que dá um bocado de trabalho ser um cachorro feliz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115393770968421594?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115393770968421594/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115393770968421594' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115393770968421594'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115393770968421594'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/07/um-cachorro-feliz.html' title='Um cachorro feliz'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115393119749118534</id><published>2006-07-26T09:19:00.001-07:00</published><updated>2006-07-27T10:51:05.443-07:00</updated><title type='text'>Quantas horas?</title><content type='html'>Quantas horas tem o dia de uma mulher que dorme tudo o que precisa dormir e acorda com tempo e disposição para gozar antes de te dizer “bom dia”? Quantas horas tem o dia de uma mulher que levanta, arruma a cama, compra pão e queijo minas e põe a mesa do café? Quantas horas tem o dia de uma mulher que toma um bom banho morno, enrola a toalha na cabeça e passa todos os cremes que deve passar? Quantas horas tem o dia de uma mulher que acorda as crianças com um beijo, penteia seus cabelos e as entrega na porta da escola? Quantas horas tem o dia da mulher que tem um bom emprego, um bom salário e faz tudo o que tem que fazer, como acha que deveria fazer, e é reconhecida por isso? Quantas horas tem o dia da mulher que almoça num lugar bacana com duas grandes amigas? Quantas horas tem o dia da mulher que vai à academia, compra flores pra casa e escolhe com cuidado um presente? Quantas horas tem o dia da mulher que experimenta, que erra, que tenta de novo, que dá o seu melhor? Quantas horas tem o dia da mulher faz curso de cerâmica, francês e roteiro de cinema? Quantas horas tem o dia da mulher que leva o cachorro no parque, senta no banco e folheia uma revista ou bate papo com uma velhinha que lembra a sua avó? Quantas horas tem o dia da mulher que tem almofadas coloridas no sofá, fotos de viagem nas paredes e a geladeira sempre cheia? Quantas horas tem o dia da mulher que faz pé, mão, meia-perna, virilha, sobrancelha e massagem anti-celulite? Quantas horas tem o dia da mulher que consegue ficar sozinha e não fazer nada, nem falar nada, por algum tempo? Quantas horas tem o dia da mulher que ouve com atenção como foi o dia das pessoas que importam para ela? Quantas horas tem o dia da mulher que prepara um jantar enquanto toma uma taça de vinho? Quantas horas tem o dia da mulher que tem tempo de arrumar a cozinha depois? Quantas horas tem o dia da mulher que sai para tomar chopp com uns amigos e chora de rir de uma piada sem graça? Quantas hora tem o dia da mulher que fala no telefone com as pessoas que tem saudade? Quantas horas tem o dia da mulher que ainda tem uns minutos para te fazer cafuné? Quantas horas tem o dia da mulher que vê todos os filmes que quer ver, lê todos os livros que quer ler e ainda escreve tudo o que precisa escrever? Quantas horas tem o dia da mulher que eu queria ser?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115393119749118534?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115393119749118534/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115393119749118534' title='0 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115393119749118534'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115393119749118534'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/07/quantas-horas_26.html' title='Quantas horas?'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115348541636016183</id><published>2006-07-21T05:16:00.000-07:00</published><updated>2006-07-21T05:36:56.376-07:00</updated><title type='text'>Muito prazer, essa sou eu.</title><content type='html'>&lt;div style="direction: ltr;"&gt;&lt;span class="q"&gt;Odeio meu cabelo descontrolado, meus dentes grandes, meu peito pequeno, minha perna fina, minhas roupas, todas velhas. Amo a cor dos meu cachos no sol, meu sorriso aberto, meu peito que ainda fica em pé sem sutiã, minhas pernas compridas, minha calça mais velha que deixa a&lt;br /&gt;minha bunda linda. Sei que sou inteligente, mas me acho burra. Me acho bonita, mas sei que não sou. Gosto que me toquem. Tanto que faço &lt;/span&gt;carinho em mim. Adoro beijo com gosto de cerveja. Não gosto de beijo com gosto de cigarro ou mate. Nem de beijos com bico. Prefiro o sexo de manhã ou no meio da tarde, com a luz do dia. Presto atenção em letras de música, porque sei que de vez em quando elas falam comigo. Gosto quando o Chico e o Camelo falam comigo. Tenho todas as loucuras &lt;span class="q"&gt;que só uma mulher sabe ter. Angústias  escondidas que aparecem do nada de trás da parede só para me dar um susto quando eu jurava que estava&lt;br /&gt;feliz. Aquela certeza repentina de que a coisa mais estúpida do mundo deve ser feita e tem que ser agora, não pode esperar até a razão &lt;/span&gt;voltar. Também tenho outras loucuras só minhas, algumas que não conto nem para mim. Não gosto das pessoas. Mas gosto muito de algumas &lt;span class="q"&gt;pessoas. Nem sempre tenho paciência para elas e peço desculpas. Acho os homens mais divertidos do que as mulheres. Gosto das piadas sujas e &lt;/span&gt;da maneira prática como vêem a vida. De como ficam felizes com um copo de chopp na mão. Da sinceridade que falta às mulheres. Estas sempre &lt;span class="q"&gt;tentam parecer melhor do que são. Então são sempre piores do que parecem. Acho que sei mais da vida do que as outras pessoas. Isto eu &lt;/span&gt;herdei da minha mãe. Mas não sei muito de mim. Tem dias que acho que seria mais feliz batendo bolos e cozinhando compotas de morango para uma penca de filhos. Uns parecidos comigo, outros parecidos com você.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="direction: ltr;"&gt;&lt;span class="q"&gt;Te amo tanto que às vezes me cansa. Mas o cansaço sempre passa e te&lt;/span&gt; amo mais. Ficaremos juntos para sempre. Mesmo que o para sempre seja só uma esperança, sei que é uma esperança de nós dois.  E isto me &lt;span class="q"&gt;basta. Adoro rir, mas também gosto de chorar. Confesso, me alivia a&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="direction: ltr;"&gt;alma. Detesto ficar histérica. Já faz tempo que não fico, ainda bem. &lt;span class="q"&gt;Sei que poderia fazer melhor do que faço, mas tenho preguiça. Como &lt;/span&gt;mais do que devo, sou um pouco pão-dura. Teimosa também. Existem defeitos piores e eu devo tê-los, mas não me lembro nenhum agora.&lt;br /&gt;Discordo de muita coisa e de muita gente. Provavelmente discordaria de você (se já não descordei). No último ano, estive em mais lugares do &lt;span class="q"&gt;que podia imaginar, mas estive pouco tempo com um monte de gente que &lt;/span&gt;sente minha falta. Fico feliz que sintam a minha falta. Gosto de  &lt;span id="st" name="st" class="st"&gt;escrever&lt;/span&gt;. Gosto de pensar que escrevo bem. Não gosto que saibam da minha vida, mas estranhamente não calo a minha boca.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="q" id="q_10b234afb411fa03_16"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115348541636016183?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115348541636016183/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115348541636016183' title='2 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115348541636016183'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115348541636016183'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/07/muito-prazer-essa-sou-eu.html' title='Muito prazer, essa sou eu.'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-31451845.post-115348395404098309</id><published>2006-07-21T05:05:00.000-07:00</published><updated>2006-07-26T11:20:41.606-07:00</updated><title type='text'>Por que diabos eu criei um blog?</title><content type='html'>Não sou muito de blogs. Não sei muito bem o que fazer com um. Penso neste blog como um espaço para colocar algumas coisas que eu escrevo.  Nem sei se alguém vai ler. Nem se sei se isto interessa. Talvez me obrigue a escrever mais. Talvez seja uma maneira de guardar o que eu escrevo.  Talvez seja um pedido de atenção. Talvez não seja nada demais. Vai saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/31451845-115348395404098309?l=hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/feeds/115348395404098309/comments/default' title='Post Comments'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=31451845&amp;postID=115348395404098309' title='8 Comments'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115348395404098309'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/31451845/posts/default/115348395404098309'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://hojeeuacordeicomvontadedeescrever.blogspot.com/2006/07/por-que-diabos-eu-criei-um-blog.html' title='Por que diabos eu criei um blog?'/><author><name>Aline</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08548155546094495211</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><thr:total>8</thr:total></entry></feed>
